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1º de dezembro – Dia Mundial de Luta Contra a Aids

O dia 1º de dezembro foi definido como o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, em outubro de 1987, pela Assembleia Mundial de Saúde, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).

Dados do Relatório de Monitoramento Clínico do HIV, do Ministério da Saúde, apontam que o Brasil obteve avanços no diagnóstico, tratamento e controle do vírus nos últimos quatro anos. Até 2016, o país tinha 84% das pessoas diagnosticadas com o vírus em tratamento. O documento avalia metas da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2020.

Com dados de 2012 a 30 de junho de 2017, o relatório mostra que o Brasil aumentou em 18% o índice de diagnóstico de pessoas portadoras do vírus HIV e, em 15% a quantidade de soropositivos que fazem tratamento médico regular.

Os percentuais, segundo o ministério, não representam um aumento real no número de infecções, mas “indicam que as novas tecnologias de testes rápidos têm aumentado a cobertura”, explicou Adele Benzaken, diretora do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis IST, HIV, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

“O Brasil, na questão do 90/90/90 está hoje com 84% de pessoas diagnosticadas em cima do estimado. A 6 dígitos para atingir a primeira meta.”

De acordo com o plano da ONU, os países signatários devem chegar a 2020 com 90% das pessoas que vivem com HIV testadas. Destas, 90% precisam ter aderido à profilaxia, ou seja, ao tratamento médico continuado, e destas, 90% devem estar com a carga viral zerada no sangue – isso atestaria a eficácia dos medicamentos.

“O ministério reconhece que pessoa com carga viral indetectável não transmite o vírus HIV”, disse Benzaken.

Avanços

O Ministério da Saúde estima que 830 mil brasileiros tenham HIV. Segundo o relatório da pasta, 84% foram diagnosticadas com o vírus – o equivalente a 694 mil pessoas – e 72% estão em tratamento. Destas, 91% já estão com carga viral suprimida, as chamadas “pessoas indetectáveis”, que, segundo Benzaken, não transmitem o vírus.

“Essas pessoas em tratamento estão no sistema público de saúde, com recurso nacional. Em qualquer outro país do mundo com esse quantitativo de pessoas, há financiamento externo”, destacou Adele Benzaken. “E isso só acontece no Brasil, porque a lei garante que toda pessoa infectada tenha acesso ao tratamento.”

Além da Meta 90/90/90, também é intenção do governo federal que o Brasil elimine a Aids até 2030. Segundo Benzaken, para isso acontecer é preciso que atingir taxas mínimas de contaminação viral no país, que pode ser alcançanda tanto por políticas de prevenção ao vírus, quanto pelo tratamento regular, que reduz a carga viral no sangue.

“A erradicação só vai acontecer quando tivermos uma vacina.”

Jovens são mais afetados

Apesar dos avanços, analisados sob uma perspectiva geral, a faixa etária de jovens com 18 a 24 anos é a que tem os menores índices, tanto de diagnóstico do HIV, quanto de tratamento e de carga viral suprimida. “Se os jovens não têm carga viral suprimida, eles podem estar transmitindo o HIV”, disse Adele Benzaken, diretora de ISTs.

Segundo ela, este quadro está sendo discutido dentro do Ministério da Saúde para o desenvolvimento de serviços acolhedores e que cheguem até os jovens. “Muitas vezes eles nem estão transitando na atenção básica. E a gente sabe que a maior parte deles são pobres, negros e não tem informação qualificada. Por isso a importância de unir outras áreas do ministério.”

Benzaken também apontou a importância de que a rede pública de saúde tenha grupos de adesão para que os jovens infectados pelo HIV possam trocar experiência e informações de saúde com outras pessoas na mesma circunstância.

“O MAIOR DESAFIO NO BRASIL É ESSE, PORQUE DESDE 2013 A TAXA DE ABANDONO E REGULARIDADE TEM SE MANTIDO A MESMA (9%), PRINCIPALMENTE ENTRE O GRUPO DE 18 A 24 ANOS.”

Sobre os motivos que colocam a população mais jovem no grupo de maior risco para contaminação e transmissão do HIV, a diretora explicou que o fator psicológico pode ser determinante. “O HIV se torna um elemento na vida sexual desse jovem com o qual ele precisa conviver diária e constantemente. É como se tivesse uma figura a mais nos seus relacionamentos e que ele sempre tem que se explicar.”

Fonte: G1 

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