Como o médico deve se comportar nas redes sociais?

Como devo me comportar nas redes sociais? Esta é uma pergunte frequente para quem navega pelo mundo digital. Se não é frequente, deveria. O comportamento (ou a falta dele!) no mundo digital tem gerado diversos conflitos, término de amizades, ações judiciais e uma infinidade de compartilhamento de inverdades e fatos incompletos. Como conviver num espaço assim?

O Facebook virou no Brasil uma “arma” para disputas políticas e trocas de ofensas pessoais, talvez algo bem diferente do que pensou Mark Zuckerberg, um dos criadores da ferramenta, que certamente focou (e ainda foca!) este instrumento para aproximar pessoas e gerar negócios.

Em abril de 2016, o Facebook anunciou que a rede é acessada por um bilhão de usuários de todo o mundo todos os dias. No Brasil, são mais de 102 milhões de usuários ativos por mês. Fácil de perceber que um grande público está no Facebook. E os médicos também estão na rede. Há contudo, a preocupação do comportamento destes profissionais nos espaços virtuais.

Todos os meses somos abordados por profissionais médicos que se sentiram ofendidos por alguma publicação. Todos os dias no entanto, observamos médicos se comportando de maneira inadequada nas redes sociais. As ofensas são avaliadas por uma Assessoria Jurídica capacitada que encaminha a questão. Geralmente o próprio Facebook se encarrega de resolver o “impasse”. As publicações dos médicos (seja em seus perfis pessoais ou em suas páginas pessoais ou das clínicas) também são avaliadas pela Assessoria Jurídica. Só que estas podem causar transtornos desnecessários junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM).

É preciso estar atento ao que orienta o Conselho Federal de Medicina (CFM) na Resolução 2.126/2015, que altera partes da Resolução 1.974/2011. As regras de publicidade médica precisam ser seguidas também nas redes sociais. O médico precisa compreender que além das regras de publicidade para cartões, receituários, atestados, placas e publicidade em geral, há também regras a serem seguidas na hora de conceder entrevistas e de divulgar suas atividades nas redes sociais.

Quem nunca se deparou com a foto de um bebê recém nascido sendo segurado pelo médico que acabou de fazer o parto? Quem nunca viu a foto de um médico com sua paciente que irá fazer uma cirurgia plástica com frases positivas de incentivo a outras mulheres para fazerem o mesmo? E o médico que já publicou o “antes e depois” de um procedimento? E o médico que publica sobre seu novo equipamento de ultrassonografia? Os exemplos são muitos e comprovam que o “saber se comportar” nas redes sociais não está atrelado somente às brigas e discussões por este ou aquele tema e muito menos, a discussões infindáveis porque o paciente não gostou do atendimento e fez uma publicação grosseira e constrangedora. Por isso a orientação é que, assim como na medicina, quando o paciente procura por um médico especialista de acordo com a sua questão a ser resolvida, que os médicos procurem profissionais capacitados para a orientação sobre o uso adequado das ferramentas da comunicação. Bem utilizada, a comunicação é uma grande aliada na divulgação da imagem e da atividade profissional do médico sem que isso gere problemas para a atividade profissional.

Por: Carla Cavalheiro, jornalista, sócia da CCR Gestão de Comunicação, agência de Assessoria de Comunicação e Imprensa que atende a Federação Médica Brasileira (FMB), especialista em Estudos de Jornalismo, MBA em Gestão de Comunicação Pública e Privada e MBA em Gestão de Redes Sociais

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