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Em Marapanim, hospital funciona sem médicos

A crise política instaurada no município de Marapanim, onde a prefeita Edilene Morais foi afastada pela Câmara por 90 dias, se reflete fortemente na área da saúde local. Hospital municipal, completamente sucateado e com apenas um médico e unidades de saúde fechadas e desabastecidas, são alguns dos reflexos da paralisação das ações no setor.

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Em visita técnica ao município na última quarta-feira, 28, o diretor do Sindmepa, Waldir Cardoso, foi ao Ministério Público pedir a intervenção do órgão para a melhoria do quadro caótico em que se encontra o setor. Um relatório técnico está sendo enviado ao MP local e a outras autoridades municipais e estaduais com pedido de providências.

No hospital municipal apenas um médico ainda está trabalhando por ser concursado. Os outros todos foram demitidos ou se desligaram por falta de pagamento dos seus honorários. O diretor do hospital, Manoel Araújo, informou que as demais categorias existem em quantidade suficiente para o funcionamento do hospital. Com as férias do médico concursado, apenas os enfermeiros estão mantendo o hospital em funcionamento.

Entregue em 1991 pela Prefeitura, o hospital apresenta visíveis sinais de deterioração. Infiltrações por toda parte, equipamentos sem funcionar, colchões rasgados, camas sem colchão e enferrujadas e duas ambulâncias, sendo que uma em estado precário compõe o quadro de desmonte. Ao todo, são 22 leitos cadastrados no CNES, mas somente 12 têm possibilidade de receber pacientes. Não há materiais, medicamentos e insumos, inviabilizando as internações.

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Nas unidades básicas de saúde o quadro não é diferente. A unidade de saúde urbana há falta de medicamentos e insumos. Não tem sequer estufa para esterilização básica. Assim, as poucas caixas de curativos são esterilizadas nas estufas do hospital municipal. Um intercambista cubano faz atendimento médico de segunda a sexta realizando consulta em clínica geral e visitas domiciliares.

Localizada a poucos quarteirões da UBS Urbana, a unidade básica de saúde porte 1 encontra-se fechada. “Trata-se de uma unidade maior que a UBS urbana e é lamentável que ainda não esteja em funcionamento”, observa Waldir Cardoso.

Com a precariedade de atendimento nas unidades de Marapanim, há meses pacientes do município são recebidos para tomar vacina na unidade Saúde da Família de Curuçá, na estrada que liga Castanhal a Marapanim.

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Nenhuma autoridade local procurada foi encontrada no município pelo diretor do Sindmepa. A prefeita afastada do cargo e a secretária de saúde não estavam no município.

“Fica patente a situação crítica da saúde no município. A crise política paralisa as ações e a repercussão negativa para a saúde é evidente. Hospital completamente sucateado, unidades de saúde fechadas ou desabastecidas. Falta absoluta de médicos. Neste quadro dantesco, só nos resta apelar para o Ministério Público estadual”, afirma Waldir Cardoso.

Em visita ao MP local, o diretor foi informado de que a promotora não se encontrava no prédio, sendo atendido pela assessoria, que manifestou interesse em receber o relatório do Sindmepa e em manter contato na busca de melhorias na atenção à saúde no município.

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