Médicos do Pará vão discutir desfiliação da Fenam
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Médicos do Pará vão discutir desfiliação da Fenam

Na próxima segunda-feira, 16, médicos do Pará vão analisar, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), a proposta da diretoria do Sindmepa de desfiliação da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Filiado à entidade nacional desde sua fundação, em 1981, o Sindmepa defende a desfiliação por considerar inviável a permanência na Fenam, juntamente com outros 18 sindicatos de médicos do Brasil, inclusive o que reúne o maior número de associados o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

As divergências na forma de encaminhamento de questões nacionais envolvendo a saúde no Brasil vinham se reproduzindo já há bastante tempo. Entre as queixas dos médicos estão a inércia de atual diretoria da Fenam que levou ao esvaziamento e mutilação, junto ao Congresso Nacional, da lei do ato médico; a falta de articulação com a oposição ao governo federal e o rompimento desastroso das vias de conversação, facilitando a aprovação do Programa Mais Médicos; o silêncio e a falta de oposição formal à abertura de mais escolas médicas que quase duplicaram o número de vagas em cursos de medicina; a falta de mobilização e oposição contra as alterações nas regras da Residência Médica, retirando o poder deliberativo da Comissão Nacional de Residência Médica; e a saída da Fenam do Conselho Nacional de Saúde, órgão máximo de deliberação da saúde no Brasil que calou a voz dos médicos brasileiros naquele colegiado.

Também foram alvo de críticas à diretoria da Fenam a falta de estratégia de luta em favor dos médicos federais que perderam sua gratificação e tiveram salários congelados; os gastos injustificáveis realizados com a excessiva emissão de passagens aéreas e diárias de viagens; e a falta de justificativa e de observância às normas legais quanto ao aumento da remuneração do presidente da entidade que passou a somar, mensalmente, R$ 30.000,00.

Mas o estopim da crise deu-se durante a realização do Congresso da Fenam, no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado, realizado com um custo de mais de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais), quando o presidente, Geraldo Ferreira Filho, decretou a ampliação de seu mandato em mais um ano, em votação questionada juridicamente por sindicatos que ora propõem sua desfiliação da Fenam.

Entre esses estão 19 sindicatos médicos, três regionais da Fenam e mais de cem médicos que criaram um grupo de oposição chamado “Resistência Democrática”, que apoiou a Carta de Princípios onde são apontadas as razões do rompimento com a entidade.

A convocação para a AGE que vai discutir a desfiliação do Sindmepa da Fenam foi publicada no Diário Oficial do Estado do dia 06 deste mês, como reza a legislação e vai acontecer na próxima segunda-feira, 16, na sede do Sindmepa, na Boaventura da Silva, 999. Todos os médicos sindicalizados ao Sindmepa estão convocados.

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