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Saúde de qualidade para todos!

Não dá para pensar no Dia Mundial da Saúde sem pensar no profissional de saúde. Aquele que está na ponta da política de saúde de um estado ou município. No Pará, médicos convivem com péssimas condições de trabalho. Faltam equipamentos, materiais e medicamentos para exercer a medicina com um mínimo de dignidade. Adoecidos, mal remunerados e cansados são o retrato de um modelo de saúde que não deu certo.

Nos grandes hospitais públicos, profissionais se desesperam diante da iminência da morte de seus pacientes, que muitas vezes poderiam ter sido evitadas se não lhes fossem negadas condições básicas de trabalho. Em Belém, o caos da rede pública, que exige maior dedicação, segue diametralmente oposto à remuneração paga. Somos a capital que paga o menor piso para médicos em todo o Brasil. O salário base atualmente não chega nem mesmo ao salário mínimo nacional, pois a prefeitura não atualizou os valores em janeiro passado.

Tudo isso sem qualquer garantia de estabilidade no emprego, já que negam aos médicos carteira assinada ou mesmo um contrato de trabalho que lhes garanta direitos trabalhistas básicos como férias, décimo terceiro, ou licença saúde. Médicos não têm direito nem mesmo de adoecer já tendo sido denominados como “escravos contemporâneos” pelo presidente da Federação Médica Brasileira (FMB), Waldir Cardoso, já que “vivem sob assédio moral, demitidos arbitrariamente e sem direito a reclamar de nada”.

No SUS, a tabela de honorários torna mais lenta a fila de espera para milhares de usuários, já que afasta profissionais dos serviços públicos de saúde. Centenas já se descredenciaram do Sistema Único.

Na saúde privada, planos cobram preços exorbitantes enquanto remuneram seus médicos com valores aviltantes. Procedimentos pagos a preços de banana, tornam médicos reféns de agendas superlotadas e uma carga horária de trabalho desumana e estafante.

A residência médica é outra vergonha. Residentes trabalham em carga horária exorbitante, fazem tarefas de especialistas recebendo valores abusivos. Preceptores não são remunerados, o que torna o aprendizado ainda mais sacrificante. Indiferente a esses problemas, novas vagas em escolas públicas e privadas de medicina continuam sendo abertas, sem a menor preocupação com a qualidade do ensino, senão com a quantidade de vagas.

Por primar pelo respeito à saúde de qualidade ao cidadão brasileiro, é que que nós, médicos, lutamos por melhores condições de trabalho. Defendemos a carreira médica como única forma de melhorar verdadeiramente o atendimento em saúde. A carreira de médico na esfera pública garantiria ao profissional a segurança, estabilidade e tranquilidade para melhor desenvolver sua atividade, superando a precarização do trabalho e a ausência de médicos em regiões remotas de difícil acesso. Na esfera privada, carteira assinada garantindo o piso nacional da categoria e todos os direitos trabalhistas previstos na CLT. Reajuste dos honorários da tabela do SUS pela CBHPM em vigor e mais verbas para a saúde.

Neste dia 7 de Abril, Dia Mundial da Saúde, convocamos todos a refletir juntos sobre os problemas da saúde no Brasil, no Pará e em Belém. Ao longo da semana, a partir de hoje, vamos publicar textos que abordam os principais problemas vivenciados pelos médicos no estado.

Sindicato dos Médicos do Pará

Diretoria Colegiada

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