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Saúde mental preocupa setor médico

Não é de hoje que a falta de cuidados com a saúde, depressão e suicídios frequentes entre a categoria médica preocupa as entidades médicas no Brasil. Mais recentemente, uma onda de suicídios em uma das maiores universidades do país, a USP, chamou a atenção também para os problemas vivenciados por acadêmicos de medicina.

De acordo com reportagem publicada na Folha de São Paulo do dia 12 de abril passado, só este ano já foram registrados seis casos de suicídios na faculdade, sendo três nas últimas semanas. O problema tem sido exposto em páginas do facebook e abordado em cartas dirigidas por professores aos alunos.

Os textos falam das dificuldades em abordar o assunto no ambiente acadêmico e convida os alunos a saírem do silêncio e falar “sobre o que não se fala, a não ser na privacidade dos corredores”. Esgotamento físico, ansiedade, depressão, internações psiquiátricas, tentativas de suicídio e mortes tem sido a tônica dos debates no ambiente acadêmico.

A dificuldade de abordar o assunto é um dos problemas apontados pelo diretor João Gouveia como agravante deste quadro. “A pessoa que está com o problema, em geral não quer falar. E a pessoa que descobre o problema também fica cheia de dedos para abordar o assunto e as vezes o sujeito acaba se suicidando sem dar tempo de se fazer uma intervenção”, afirma Gouveia. “Nós, médicos, precisamos falar sobre o assunto abertamente”.

Ele destaca ainda a necessidade de se tratar os transtornos mentais para se prevenir esse tipo de problema. “Uma pessoa, normalmente, que pensa em suicídios tem muitas vezes um problema ligado à saúde mental, algum transtorno, uma depressão, uma psicose, ansiedade, e isso precisa ser tratado”, afirma Gouveia.

Ele acrescenta que os gestores precisam começar a pensar na criação de serviços de saúde mental nas universidades e faculdades para identificar estes problemas que, na maioria das vezes, acontece durante o período estudantil. E os estudantes precisam ser acompanhados desde o primeiro ano de estudo devido às pressões para o cumprimento das tarefas a si delegadas.

Gouveia opina ainda que seria recomendável que as entidades médicas também criassem serviços que possam dar apoio a médicos com distúrbios mentais que levam às vezes ao seu afastamento do mercado de trabalho e a um sofrimento intenso. Levantamento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) apontou que o suicídio foi a segunda causa de mortes entre médicos na década passada, de 2000 a 2009. Mais recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica de Psiquiatria (AM) lançou uma cartilha sobre prevenção aos suicídios.

“A Situação é preocupante e medidas precisam ser adotadas urgentemente para uma solução que previna e trate esta situação em que os estudantes e médicos ficam tão desprotegidos e muitas vezes sofrem até um certo desprezo por seus pares piorando ainda mais o estigma dos portadores de saúde mental”.

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