Sindmepa aprova desfiliação da Fenam
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Sindmepa aprova desfiliação da Fenam

Médicos do Pará aprovaram ontem, em Assembleia Geral Extraordinária, a proposta do Sindmepa de desfiliação da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Os associados presentes à Assembleia ficaram estarrecidos com os fatos narrados por diretores do Sindmepa sobre os descaminhos da instituição e lamentaram que o desligamento não tenha sido efetuado há mais tempo.

“Não vamos mais bancar os desmandos na Fenam, pois não se admite nos tempos atuais de democracia que a maioria esmagadora de sindicatos médicos pugnem pela transparência e democracia interna e sejam sobrepujados por uma minoria dirigida por um presidente desequilibrado, colocando em risco as lutas e anseios da categoria médica e da sociedade”, declarou o diretor do Sindmepa, João Gouveia, que junto com o também diretor Waldir Cardoso, vem sofrendo uma campanha feroz de difamação e calúnia desferida pela atual direção da Fenam.

O Sindmepa integra uma lista de 19 sindicatos brasileiros que romperam com a instituição e é o primeiro a se desfiliar formalmente da Federação Nacional. “Esperamos que outros sigam o mesmo exemplo e, se depender da gente, vamos juntos com os demais sindicatos, constituir uma outra instituição e, quem sabe no futuro, voltar a participar de uma Fenam que respeite o estatuto e as decisões da maioria transparência e democracia.

ENTENDA AS CAUSAS DA DESFILIAÇÃO DA FENAM:

As divergências na forma de encaminhamento de questões nacionais envolvendo a saúde no Brasil vinham se reproduzindo já há bastante tempo. Entre as queixas dos médicos estão a inércia de atual diretoria da Fenam que levou ao esvaziamento e mutilação, junto ao Congresso Nacional, da lei do ato médico; a falta de articulação com a oposição ao governo federal e o rompimento desastroso das vias de conversação, facilitando a aprovação do Programa Mais Médicos; o silêncio e a falta de oposição formal à abertura de mais escolas médicas que quase duplicaram o número de vagas em cursos de medicina; a falta de mobilização e oposição contra as alterações nas regras da Residência Médica, retirando o poder deliberativo da Comissão Nacional de Residência Médica; e a saída da Fenam do Conselho Nacional de Saúde, órgão máximo de deliberação da saúde no Brasil que calou a voz dos médicos brasileiros naquele colegiado.

Também foram alvo de críticas à diretoria da Fenam a falta de estratégia de luta em favor dos médicos federais que perderam sua gratificação e tiveram salários congelados; os gastos injustificáveis realizados com a excessiva emissão de passagens aéreas e diárias de viagens; e a falta de justificativa e de observância às normas legais quanto ao aumento da remuneração do presidente da entidade que passou a somar, mensalmente, R$ 30.000,00.

Mas o estopim da crise deu-se durante a realização do Congresso da Fenam, no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado, realizado com um custo de mais de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais), quando o presidente, Geraldo Ferreira Filho, decretou a ampliação de seu mandato em mais um ano, em votação questionada juridicamente pelos sindicatos que formam a Resistência Democrática.

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