VISITA TÉCNICA A TUCURUÍ

VISITA TÉCNICA A TUCURUÍ

DIAS: 13, 14.12.2016

DIRETOR: JOÃO GOUVEIA

O diretor administrativo do Sindmepa, João Gouveia, esteve em visita técnica a Tucuruí esta semana onde fez um levantamento dos problemas da saúde no município, reuniu com médicos, conselheiros de saúde e com o provável futuro secretário de saúde de Tucuruí. O principal ponto que provocou a visita técnica foi a demissão de médicos da Atenção básica, por parte da Prefeitura Municipal, o que levou ao fechamento de unidades de saúde, prejudicando o atendimento à população.

“Foi uma atitude unilateral, arbitrária e irresponsável da prefeitura de Tucuruí prejudicial à categoria médica, que está com salários atrasados e atua com péssimas condições de trabalho”, afirmou o diretor, ao reunir com o provável futuro secretário de saúde de Tucuruí, que garantiu intermediar uma audiência com o novo prefeito de Tucuruí, Jones William, e os médicos, antes do Natal.

Ainda no primeiro dia da visita, o diretor promoveu reunião com os médicos do município, à noite, discutindo sobre a situação da categoria em relação à prefeitura e ao Hospital Regional. Ficou marcado para a próxima semana uma assembleia geral extraordinária para se deliberar sobre todos os pontos de pauta.

A visita incluiu ainda reunião com o Conselho Municipal de Saúde, visita ao hospital regional e à Unacon de Tucuruí, inaugurada em julho deste ano pelo governo do estado. A reunião com o conselho municipal contou com a participação da conselheira estadual de saúde, Silvina Macedo, que estava no município em missão do CES. Os problemas de atrasos de pagamento e condições de trabalho foram detalhados na reunião e os médicos pediram o apoio do Conselho Estadual para se chegar a uma solução para os problemas.

Conselheiros municipais de saúde e a conselheira estadual participaram da visita técnica promovida pelo Sindmepa ao Hospital Regional na quarta-feira. O diretor João Gouveia comparou as condições do hospital em relação à última visita, realizada em junho deste ano. “Se observou que apesar do hospital dispor de quatro salas de cirurgias, apenas duas estão funcionando para cirurgias de médio e grande porte e uma para pequenas cirurgias. A outra está desativada.

O centro cirúrgico continua sem craniótomo para neurocirurgias; a UTI improvisada na urgência persiste, o laboratório continua sem insumos para realização de cultura sorológica em geral e gasometria. O tomógrafo já está em funcionamento, mas continua a deficiência na esterilização de materiais, entre outros problemas detectados. Todas as falhas serão detalhadas em relatório técnico a ser enviado aos órgãos competentes relacionados à saúde pública do estado. “Há uma nítida percepção de que precisamos ter uma melhor eficiência e eficácia no gerenciamento deste hospital, além de melhorar o diálogo, principalmente com a equipe médica”, resumiu João Gouveia.

O diretor também visitou a Unidade de média e alta complexidade em oncologia (Unacon), que continua com serviços de bracterapia e radioterapia modulada sem previsão de funcionamento, pois depende de uma série de autorizações da vigilância sanitária e do Conselho Nacional de Energia Nuclear.

IRREGULARIDADE

Constatou-se na visita que dois apartamentos funcionais do hospital regional do município são destinados a uso exclusivo dos servidores do hospital, o que é flagrantemente ilegal. Ninguém pode ser privilegiado em espaço de hospital ou unidade pública de saúde. O diretor geral do hospital garantiu que já encontrou essa situação criada e que iria pedir um parecer jurídico do assunto.

UNACON

Inaugurada em julho deste ano pelo governo do estado, a Unacon de Tucuruí continua com serviços de bracterapia e radioterapia modulada sem previsão de funcionamento, pois depende de uma série de autorizações da vigilância sanitária e do Conselho Nacional de Energia Nuclear. As cirurgias estão sendo feitas em número reduzido e de pequeno porte no Hospital Regional, mas ainda sem um fluxo definido e a quimioterapia está funcionando com onze poltronas e dois leitos.

As informações constarão do relatório de visita técnica promovida ao município esta semana pelo diretor do Sindmepa, João Gouveia, que foi acompanhar de perto o problema de demissões de médicos da atenção básica pela prefeitura municipal.

O diretor constatou na visita que a Unacom continua a usar a ultrassom do hospital regional e não tem ultrassom para biópsia dirigida. Além disso, a equipe médica funciona a parte clínica através de uma empresa terceirizada e a única cirurgiã oncológica disponível passa apenas 15 dias no município. “Isso comprova que o serviço continua funcionando de forma precária, sem atender as necessidades dos pacientes, que vão desde cirurgia, passando por rádio e quimioterapia. Sendo que, na maioria das vezes, os pacientes necessitam utilizar as três formas de tratamento”, afirma Gouveia.

As estatísticas apresentadas demonstram que o atendimento está muito pequeno para a capacidade do serviço. Recentemente foi realizada uma triagem para câncer de próstata, por meio de exame sorológico, o PSA, o que hoje é considerado fora dos protocolos, pois este exame deve ser realizado em casos específicos, explica Gouveia.

A situação dos pacientes de câncer de Tucuruí tem ainda mais um complicador: a enfermaria destinada aos pacientes da Unacon que serão operados no hospital regional ainda está sem funcionamento, assim como não há uma definição sobre como serão realizadas as cirurgias oncológicas, qual equipe cirúrgica irá atuar, e que tipo de cooperação haverá entre as entidades para que isso ocorra. As cirurgias atualmente realizadas são de pequeno porte e em volume muito restrito.

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