No Dia da Saúde Ocular, o Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular com médico oftalmologista para garantir a saúde dos olhos e, consequentemente, a qualidade de vida da população.
Segundo o oftalmologista Maurício Vulcão Vasconcelos, membro da Sociedade e da Associação Paraense de Oftalmologia e integrante da diretoria colegiada do Sindmepa, mesmo questões aparentemente simples, como a necessidade de correção visual com óculos ou lentes, exigem avaliação médica especializada. “Há diversos recursos, como lentes de contato, cirurgia refrativa a laser ou faco-refrativa, que utilizam lentes intraoculares. Mas o ponto central é que qualquer decisão precisa partir de um exame com o oftalmologista”, afirma.
Dr. Maurício alerta para um erro comum: a procura por serviços não médicos. “Optometria não médica é crime no Brasil, conforme o artigo 282 do Código Penal. Somente médicos podem realizar exames oftalmológicos. Técnicos óticos não estão legalmente autorizados a fazê-lo”, esclarece, citando leis federais que regulam a prática desde a década de 1930, reforçadas mais recentemente pela Lei do Ato Médico.
Um ponto sensível é o cuidado com a visão das crianças. “Pouca gente sabe, mas toda criança precisa fazer um exame oftalmológico até os seis anos de idade. A partir dos quatro, já é possível fazer a refração ocular para identificar problemas. O cérebro aprende a enxergar nitidamente até os seis anos, após isso, corre-se o risco de ambliopia, uma condição em que a visão não se desenvolve corretamente, mesmo com os olhos anatomicamente normais”, explica o especialista.
Além da refração e do uso de correções ópticas, o acompanhamento oftalmológico deve contemplar aspectos mais amplos da saúde ocular, como medição da pressão intraocular e análise de fundo de olho, essenciais para detectar doenças como glaucoma, retinopatia diabética e hipertensiva. “Doenças sistêmicas como diabetes, hipertensão, alterações da tireoide e distúrbios reumatológicos também afetam os olhos. Por isso, reforçamos a importância da consulta anual com o oftalmologista”, destaca o médico.
A exposição prolongada a telas e à radiação ultravioleta é outro fator de risco que exige atenção nos tempos atuais. “O uso constante de computadores, celulares e tablets aumenta a necessidade de cuidados específicos. Óculos com filtro de luz azul podem ser indicados como equipamento de proteção individual (EPI) para quem passa o dia em frente às telas. Isso protege o cristalino e a retina, ajudando a evitar cataratas precoces e lesões na mácula, região central da visão”, orienta.
Dr. Maurício também chama atenção para as conjuntivites, inflamações da conjuntiva que podem ter diversas causas: virais, bacterianas, fúngicas, químicas ou físicas, como no caso de queimaduras por exposição intensa à luz, comum em soldadores. “Todas elas devem ser avaliadas e tratadas por um oftalmologista. Automedicação ou descuidos podem agravar o quadro e trazer riscos à visão”, alerta.
No Dia da Saúde Ocular, o Sindmepa reforça: a visão é um dos sentidos mais valiosos e exige cuidado contínuo. Consulte sempre um médico oftalmologista e mantenha seus exames em dia. Prevenção é o melhor caminho para uma vida com mais saúde e qualidade visual



