O Alzheimer afeta cerca de 55 milhões de pessoas no mundo e é uma das principais causas de demência em idosos. A doença é progressiva, comprometendo a memória, o raciocínio e a capacidade de realizar tarefas simples.
Diante desse cenário, os Estados Unidos aprovaram, no último dia 16 de maio, o primeiro exame de sangue voltado ao diagnóstico do Alzheimer. Desenvolvido pela empresa japonesa Fujirebio Diagnostics, o teste foi autorizado pela FDA (agência reguladora americana) e é destinado a pacientes com 55 anos ou mais que apresentem sinais da doença.
Mais acessível e menos invasivo que exames como a tomografia por emissão de pósitrons (PET), o novo teste analisa a razão entre duas proteínas presentes no plasma humano: pTau217 e β-amiloide 1-42. A detecção dessas proteínas permite identificar a presença de placas amiloides no cérebro, principal indicativo do Alzheimer, sem a necessidade de métodos caros e que envolvem radiação.
Em testes clínicos, o exame apresentou alta precisão: 91,7% dos resultados positivos coincidiram com exames tradicionais, como PET ou punção lombar, e 97,3% dos negativos também foram confirmados por esses métodos. A nova opção pode acelerar o diagnóstico e melhorar a resposta ao tratamento.
Potencial impacto para o Pará
No contexto paraense, onde o acesso a exames de imagem de alta complexidade ainda é limitado, principalmente fora da capital, a possibilidade de diagnóstico por meio de um simples exame de sangue representa uma oportunidade concreta de ampliar o alcance da atenção aos idosos com sinais de demência. Hospitais regionais e unidades do SUS que hoje enfrentam dificuldades logísticas e financeiras para realizar exames mais caros poderiam se beneficiar com uma alternativa mais viável.
Para o diretor de comunicação do SINDMEPA e cirurgião pediatra, Eduardo Amoras, o exame representa uma oportunidade concreta de ampliar o acesso ao diagnóstico em hospitais regionais e unidades básicas de saúde, facilitando a triagem e o encaminhamento adequado dos casos suspeitos. Além disso, o diagnóstico precoce contribui para o planejamento do cuidado, melhora a qualidade de vida dos pacientes e alivia o impacto sobre os cuidadores.
Atualmente, o exame de sangue PrecivityAD, que identifica biomarcadores do Alzheimer, ainda não está disponível no SUS. No entanto, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3210/2024, que propõe sua incorporação ao sistema público, com prioridade para pacientes com histórico familiar da doença ou sinais iniciais de comprometimento cognitivo. O projeto também prevê a capacitação de profissionais e a integração dos resultados ao prontuário eletrônico dos pacientes.



