A história da Medicina data da era antes de Cristo e traz consigo o nome de grandes homens, os quais são lembrados até os dias de hoje. Durante séculos, o ato de curar os doentes foi de domínio masculino, não cabendo às mulheres esse exercício frente à sociedade, mesmo que sempre o tenham feito em ambiente familiar. No entanto, a história mostra que durante a Idade Média, mulheres que curavam com porções e com infusões foram perseguidas e taxadas equivocadamente, enquanto seu único objetivo, pelo menos da maioria delas, era curar os doentes.
Assim, ainda por alguns anos (para não dizer séculos) as mulheres seguiam lutando por seu espaço, até que enfim essa barreira foi superada no século XIX, quando Elizabeth Blackwell tornou-se a primeira médica no mundo. Desde o início, os desafios apresentados às mulheres médicas sempre colocaram em questão sua capacidade, sua inteligência, seu corpo, sempre sendo taxadas e subestimadas, já que a visão majoritária era de seres do lar, que cuidavam de tudo e de todos, porém num ambiente restrito. Não que isso esteja errado, pelo contrário! Mas restringir a mulher apenas a isso? Visivelmente é incoerente.
Rita Lobato Velho, primeira mulher a se formar e a exercer a medicina no Brasil, enfrentou barreiras e preconceitos para se matricular na Faculdade de Medicina da Bahia, mas com apoio da família ingressou e concluiu o curso de seis anos em quatro. Dra. Lobato Velho casou-se e teve uma filha e, após aposentar-se da medicina, tornou-se a primeira vereadora em Rio Pardo – RS.
Então, será mesmo que mulheres não são qualificadas para o exercício da medicina, da política, da gestão ou para o que quiserem exercer? Será que os cargos de liderança não são oportunizados às mulheres porque elas não saberiam como exercê-los? Ou será que o machismo social ainda subestima aquelas que, além de se dedicar a uma formação extensa e exigente como a medicina, ainda são mães, cuidam do seu lar, dedicam-se a projetos profissionais e sociais e ainda cuidam de si, não seriam capazes de desempenhar especialidades cirúrgicas predominadas por homens?
Esse texto não se trata de um manifesto feminista, mas de uma reflexão sobre a necessidade de se abandonar (pré)conceitos ultrapassados que exigem a validação e comprovação constante de que as mulheres merecem estar na medicina e “dão conta” de serem além de médicas, mulheres, em sua plenitude, que busca a construção de um lar, com direito de exercer sua maternidade sem que isso seja um impasse que a confronte sobre a sua área de residência médica. Uma mulher que deseja, sobretudo, o respeito de todos e que tem muito à contribuir, seja na medicina, seja na faculdade, seja nos sindicatos, seja na política, seja em qualquer lugar. Que o direito de curar seja sempre salvaguardados às mulheres que foram escolhidas pela medicina.



