O Sindicato dos Médicos do Estado do Pará (SINDMEPA) acompanha com preocupação os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados na segunda-feira, 19 de janeiro. Os dados escancaram uma realidade alarmante no ensino médico brasileiro e reforçam um alerta histórico das entidades médicas: a expansão desordenada de cursos de Medicina, sem estrutura adequada, compromete a qualidade da formação profissional e coloca a população em risco.
A preocupação também é compartilhada pela Federação Médica Brasileira (FMB), da qual o SINDMEPA integra, que manifestou posição firme diante do cenário revelado pela avaliação nacional.
Os números são expressivos. Quase 1 em cada 3 cursos avaliados apresentou desempenho insatisfatório. Entre os estudantes concluintes, cerca de um terço não demonstrou proficiência mínima, o que indica que milhares de futuros médicos podem ingressar no mercado sem a qualificação necessária. Ao todo, 99 dos 351 cursos avaliados poderão sofrer algum tipo de sanção, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Para as entidades médicas, os resultados expõem as consequências diretas da abertura desenfreada e sem planejamento de faculdades, especialmente em instituições que não dispõem de corpo docente qualificado, hospitais de ensino estruturados e campos de prática suficientes. O desempenho inferior concentra-se, principalmente, em cursos municipais e privados com fins lucrativos, enquanto instituições públicas federais e estaduais registraram melhores resultados.
O presidente da FMB, Fernando Mendonça, que participou da apresentação dos dados, destacou que, embora parte significativa dos estudantes tenha atingido a proficiência exigida, o fato de 1 em cada 3 não alcançar o nível mínimo é inaceitável. “Somos todos pacientes. A população brasileira merece ser atendida por médicos bem formados. Saber que uma parcela significativa pode não estar adequadamente qualificada é extremamente preocupante”, afirmou.
O SINDMEPA avalia como positivo o reconhecimento, por parte do Ministério da Educação, da necessidade de medidas mais rígidas, incluindo a possibilidade de restrição de vagas e aplicação de sanções às instituições com desempenho insatisfatório. No entanto, reforça que as providências precisam ser céleres e efetivas, diante da urgência que a saúde pública exige.
A entidade seguirá vigilante, acompanhando os desdobramentos do Enamed, cobrando rigor na supervisão dos cursos mal avaliados e defendendo ações concretas, como a suspensão de novas vagas, o impedimento de abertura de novos cursos sem estrutura adequada e, quando necessário, o descredenciamento de instituições que não garantam formação segura.
Para o Sindicato, a formação médica não pode ser tratada como mercadoria. Qualidade no ensino é uma questão de segurança do paciente, valorização profissional e respeito à sociedade.
O SINDMEPA reafirma seu compromisso com uma formação médica ética, responsável e de excelência, porque quantidade nunca pode se sobrepor à qualidade quando o assunto é saúde.



