Teve início a aula inaugural do Curso sobre Trabalho Médico, promovido pelo Núcleo Acadêmico (NA) do Sindicato dos Médicos do Pará (SINDMEPA), reunindo acadêmicos de Medicina para um dia de debates sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), povos tradicionais e os desafios da saúde pública na era digital.
A programação começou com uma apresentação especial do coral do SINDMEPA, marcando a abertura do segundo curso na área, que já demonstra consolidação e reconhecimento entre os estudantes.
História e fundamentos do SUS
A primeira aula foi ministrada pelo cardiologista e coordenador do Núcleo Acadêmico, Dr. Waldir Cardoso, que conduziu o encontro abordando a história e os fundamentos do SUS, destacando sua construção histórica e o papel social da medicina dentro do sistema público de saúde.
Na sequência, a palestrante Dra. Eliniete de Jesus, pertencente ao povo Baniwa do Médio Rio Negro, no Amazonas, trouxe como tema “A importância do SUS na saúde dos povos tradicionais”. Ela destacou as especificidades da atenção à saúde em comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas, reforçando a necessidade de um olhar sensível à realidade amazônica.
Encerrando o ciclo de palestras, o médico Dr. Marcos Costa, um dos professores palestrantes do curso, abordou “O SUS e os desafios da saúde pública na era digital”, refletindo sobre as transformações tecnológicas que impactam a prática médica contemporânea e a necessidade de uma postura crítica e atualizada dos futuros profissionais.

Formação crítica e produção científica
A vice-diretora do NA, Isadora Freitas, celebrou o início do curso e ressaltou o pioneirismo da iniciativa. “Estamos muito satisfeitos com a aula inaugural do segundo curso de trabalho médico. Abrimos com chave de ouro. Muitos alunos que participaram do primeiro curso voltaram agora. Trouxemos novidades, inclusive uma parte científica, em que ao final os alunos poderão desenvolver escrita científica com publicação de artigo. Isso agrega bastante e permite compartilhar com toda a comunidade acadêmica os ensinamentos sobre SUS e trabalho médico”, afirmou.
Segundo ela, o retorno dos estudantes demonstra o reconhecimento da importância do projeto dentro da formação acadêmica.

Medicina além do modelo biomédico
A estudante da UEPA e diretora do NA, Ster Marques, destacou que o objetivo do curso é ampliar a capacidade de leitura profissional e fortalecer a interação entre acadêmicos de diferentes localidades.
“Neste primeiro dia, buscamos aprimorar a capacidade de leitura profissional e a interação online com acadêmicos de Medicina, debatendo temas relevantes para a prática médica e promovendo atualização constante. Tivemos aulas sobre a história do SUS, fundamental para compreender sua evolução, e sobre os propósitos profissionais. A medicina transcende o modelo biomédico tradicionalmente ensinado nas universidades”, explicou.

Ela ressaltou ainda a importância de aplicar esse conhecimento à realidade amazônica, considerando as particularidades dos povos tradicionais, como quilombolas, indígenas e extrativistas, além de refletir sobre os impactos da tecnologia na prática médica.
Troca entre gerações
Para o professor palestrante Dr. Marcos Costa, participar do curso foi também um momento de aprendizado.
“Foi uma honra estar com os alunos da graduação enquanto professor. O papel do professor é inspirar e fornecer as bússolas para quem ainda está procurando os caminhos. Falar sobre a inserção do médico no SUS nesse contexto de transição digital foi enriquecedor. Foi um momento de muitas trocas. O sindicato está de parabéns por aproximar gerações e promover essa coletividade para melhorar o nosso sistema de saúde e o cuidado com o nosso povo”, declarou.
O curso segue com a proposta de aprofundar os debates ao longo dos próximos encontros, fortalecendo a formação crítica, científica e social dos futuros médicos.




