A Medicina está, inegavelmente, em alta no Brasil, sendo alvo constante de debates. Contudo, essa popularidade crescente tem um custo: um nítido processo de desvalorização da profissão. Esta é uma distorção que se inicia nas motivações equivocadas para o vestibular e se estende até após a formação acadêmica.
O primeiro sintoma dessa distorção é a motivação. Quando o curso é buscado unicamente como garantia de um futuro economicamente próspero, o cerne da formação e da verdadeira atuação médica é desvirtuado. Cuidar de vidas é fundamentalmente diferente de buscar riqueza. A prática médica exige abdicações pessoais muito mais valiosas que o retorno financeiro, pois seu propósito central deve ser sempre o de ajudar o próximo.
Na etapa formativa, essa desvalorização é agravada pela abertura desenfreada de escolas médicas. Muitas dessas instituições recebem certificação para funcionar mesmo sem possuir a estrutura mínima adequada. Isso levanta questionamentos urgentes: quais são os critérios reais para essa liberação? Os órgãos responsáveis não deveriam aplicar filtros mais rigorosos?
Enquanto se nota no Brasil uma tímida tentativa de aprimorar a avaliação dessas escolas, a fiscalização progride lentamente e novas faculdades são abertas em ritmo acelerado, lançando profissionais desqualificados no mercado. Sendo assim, essa combinação de motivações distorcidas com uma formação precarizada cria um ciclo vicioso que ameaça diretamente a qualidade da saúde pública, corroendo a confiança na profissão e colocando o bem-estar da sociedade em risco.



