Janeiro Branco: saúde mental do médico passa pelo respeito ao descanso e às condições de trabalho

A campanha Janeiro Branco chama atenção para a importância da saúde mental, um tema especialmente sensível para os médicos, profissionais que convivem diariamente com rotinas exaustivas, alta pressão emocional e longas jornadas de trabalho.

Nesse contexto, é fundamental reforçar que plantão não é prontidão. O médico em plantão tem direito ao descanso nos períodos de menor demanda, conforme normas trabalhistas e princípios éticos da profissão. O repouso não é um privilégio, mas uma necessidade física e mental, indispensável para a preservação da saúde do profissional e para a segurança do paciente.

A privação contínua do descanso compromete diretamente a saúde mental do médico, favorece o esgotamento emocional e aumenta o risco de falhas na assistência. Garantir condições adequadas de trabalho significa também assegurar um atendimento mais qualificado e humanizado à população.

Para a psicóloga Iva Koyama, a responsabilidade pelo cuidado com a saúde mental dos médicos precisa ser compartilhada.

“Reduzir os impactos do excesso de trabalho sobre a saúde mental dos médicos exige uma abordagem conjunta. Não é uma responsabilidade exclusiva do profissional, nem pode ser delegada apenas às instituições. É uma construção compartilhada”, destaca.

Segundo a especialista, do ponto de vista individual, é essencial reconhecer os limites do corpo e da mente, estabelecer períodos reais de descanso, cuidar do sono e buscar apoio psicológico sempre que necessário. “É preciso romper com a lógica de que dar conta de tudo é sinônimo de competência e produtividade. Sustentabilidade emocional também é parte da excelência profissional”, reforça.

No âmbito institucional, o impacto é ainda mais decisivo. A revisão de modelos de jornada excessiva, a construção de escalas mais humanizadas, a garantia de pausas adequadas e ambientes que favoreçam o descanso entre plantões são medidas fundamentais. Programas de promoção da saúde mental, espaços de escuta qualificada e acesso facilitado a atendimento psicológico fazem diferença concreta no cotidiano dos profissionais.

Iva Koyama alerta ainda para os efeitos profundos da falta de descanso na prática clínica.

“Plantões prolongados e alta carga emocional colocam o médico em um estado de alerta contínuo, como se o organismo nunca tivesse autorização para desligar. Isso gera esgotamento emocional, ansiedade, sintomas depressivos e sinais claros de burnout”, explica.

Além dos impactos psicológicos, a privação de descanso também afeta a saúde física, comprometendo o sono, o sistema imunológico e aumentando o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Esses fatores repercutem diretamente na segurança do paciente e na qualidade da assistência prestada.

Nesse cenário, o SINDMEPA reforça a importância da revisão dos contratos de trabalho, a fim de evitar cláusulas abusivas que imponham jornadas excessivas, restrições indevidas ou condições que comprometam a saúde física e mental dos médicos.

O sindicato também orienta que, diante de situações de assédio, dúvidas contratuais ou outras irregularidades nas relações de trabalho, o médico procure apoio jurídico e orientação profissional. O compromisso do SINDMEPA é com a valorização da categoria e o cuidado integral com a saúde do médico.

Outro ponto de destaque é a NR-1, que representa um avanço ao reconhecer os riscos psicossociais como parte da gestão de saúde e segurança no trabalho. Plantões prolongados, sobrecarga emocional e pressão por desempenho passam a ser tratados como riscos ocupacionais que precisam ser identificados, avaliados e gerenciados.

“Quando as instituições assumem essa responsabilidade, não apenas protegem seus médicos, mas fortalecem a segurança do paciente e a qualidade da assistência. Cuidar da saúde mental dos médicos é um investimento ético, técnico e estratégico para a sustentabilidade do sistema de saúde”, conclui a psicóloga.

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