Medicina no Brasil: uma profissão cada vez mais impossível?

Uma reflexão necessária do SINDMEPA

Com a chegada dos vestibulares, volta à tona um debate que não pode mais ser adiado: qual é, de fato, o futuro da Medicina no Brasil?
A profissão que escolhemos por vocação, entrega e compromisso social vive hoje um dos momentos mais delicados de sua história.

Como bem lembrou artigo publicado na Zero Hora, a medicina tem uma característica única: enquanto outras áreas buscam ampliar mercados, nós trabalhamos diariamente para reduzir o sofrimento, prevenir doenças e evitar que pessoas adoeçam. Ou seja, lutamos para que existam menos pacientes, e isso deveria ser celebrado como avanço civilizatório, não explorado como oportunidade de mercado.

No entanto, a expansão desordenada das escolas médicas no país aponta para outro caminho.
Hoje, o Brasil conta com 494 escolas médicas, número que nos coloca como campeões mundiais.

Para comparar:

  • EUA: 0,6 escolas por milhão de habitantes
  • Inglaterra: 0,7
  • Brasil: 2,3 escolas por milhão

Essa abertura acelerada não vem acompanhada de infraestrutura adequada, hospitais de ensino estruturados ou vagas suficientes de residência médica. O resultado é claro: formam-se mais médicos, mas não necessariamente melhores condições de cuidado à população.

“Não estamos falando apenas de números. Estamos falando de vidas. Formar médicos sem estrutura mínima é colocar a população em risco.”

Essa é a nossa maior preocupação. Qualidade na formação médica é uma questão de saúde pública, não de mercado educacional. Mais escolas, sem rigor, sem campo de prática, sem preceptoria e sem investimento real, não significam mais assistência, significam precarização do sistema.

O SINDMEPA não se cala diante desse cenário. Temos defendido, junto ao CFM, à AMB e a entidades parceiras, que o Brasil não enfrenta falta de médicos, mas falta de responsabilidade na formação médica.

Somam-se a isso as condições cada vez mais desafiadoras de trabalho no SUS e no interior do Pará:
baixa remuneração, pejotização, organizações sociais que atrasam salários, sobrecarga assistencial e insegurança jurídica. A combinação entre formação frágil e condições indignas ameaça médicos e pacientes.

Por isso reafirmamos, de forma clara e firme:

  • Somos a favor da expansão da Medicina, com responsabilidade e planejamento.
  • Somos contra a abertura de escolas médicas sem qualidade comprovada.
  • Defendemos carreira médica, estrutura adequada e valorização do trabalho no SUS.
  • Lutamos diariamente para que exercer Medicina no Brasil deixe de parecer uma “profissão impossível”.

A sociedade merece segurança.
Os pacientes merecem cuidado qualificado.
E os médicos merecem condições dignas para servir.

SINDMEPA – Pelo médico. Pela saúde. Pelo Pará.

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