Na última quarta-feira (08), médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Belém realizaram uma manifestação pacífica em frente à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), cobrando a regularização dos repasses pelos plantões realizados. O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) participou do ato, oferecendo apoio à categoria e exigindo providências imediatas da gestão municipal.
Segundo o Sindmepa, cerca de 200 médicos das UPAs dos bairros Jurunas, Marambaia, Sacramenta, Terra Firme, Icoaraci e do Pronto Socorro do Guamá estão há quase quatro meses sem receber pelos serviços prestados. Diante da situação, o sindicato tem atuado de forma contínua em defesa dos profissionais.
Durante a mobilização, foi realizada uma reunião com o secretário municipal de Saúde. Ficou acordada a criação de uma mesa de acompanhamento, com representantes do sindicato e das unidades de saúde, para fiscalizar os contratos com as Organizações Sociais (OSs) e garantir a regularização dos repasses.
Embora a possibilidade de paralisação tenha sido considerada, a greve foi suspensa temporariamente após o compromisso firmado pela Sesma. O Sindmepa, no entanto, alerta que o cenário continua crítico e requer soluções urgentes.
A entidade também denuncia a falta de transparência nos contratos entre as OSs e as empresas médicas, além de falhas na fiscalização por parte da Sesma. A ausência de mecanismos eficazes de controle tem gerado atrasos recorrentes, sem que medidas corretivas sejam adotadas.
Segundo o Dr. Waldir Cardoso, conselheiro fiscal do Sindmepa, o modelo de contratação indireta adotado pela Prefeitura de Belém é o principal fator do problema. “Essa cadeia de terceirizações prejudica tanto os profissionais quanto a população, que perde a continuidade e qualidade no atendimento”, afirma.
Além do apoio institucional às mobilizações, o Sindmepa segue em diálogo com o Ministério Público e outros órgãos de controle, e participará da audiência pública convocada pelo MPF no próximo dia 22 de outubro, para discutir o planejamento dos serviços de saúde durante a COP30



