O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), criado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em 2025, é realizado anualmente através de uma prova objetiva, sendo um instrumento para avaliar em âmbito nacional os cursos de medicina, com o objetivo de verificar se os estudantes concluintes dos cursos de medicina adquiriram as competências e habilidades exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais.
Caso o curso de medicina não tenha atingido a meta de determinado percentual de alunos proficientes sofrerá medidas que podem chegar até ao bloqueio total do ingresso de novos estudantes, e a retirada de programas governamentais (FIES, PROUNI e etc…).
No ano de 2026 houve a divulgação da primeira relação de cursos de medicina em todas as categorias. E foi de se observar que determinadas universidades, mesmo com seus problemas estruturais e administrativos conseguiram chegar entre as melhores posições.
Nesse contexto, com falta de professores, estágios e experiências, resta uma lacuna que é preenchida pelos mais cuidadosos com horas líquidas de estudos preparatórios de maneira mais do que complementar.
Portanto, estamos realmente avaliando a habilidade assistencial desses estudantes? ou apenas sua capacidade em responder perguntas de múltipla escolha? A avaliação solitária do aluno máscara a precarização do ensino em diversas instituições, em sua morfologia atual, opera como um sistema de alto impacto, mas de baixa fidelidade. Ele cria pressões destrutivas (como a migração do foco para o “treino para prova”) e, ao mesmo tempo, falha em seu propósito essencial: garantir que as escolas de medicina brasileiras ofereçam, de fato, uma formação integral e capaz de produzir médicos competentes para o complexo sistema de saúde do país. Sem movimentação, continuaremos em um ciclo vicioso: escolas “ensinam para a prova”, alunos “estudam para passar”. Desconstruir é o primeiro passo obrigatório para construir um sistema que avalie não o que é fácil de medir, mas o que é indispensável para salvar vidas e cuidar de pessoas. Só quando a “morfologia” do exame incluir a avaliação de habilidades práticas, julgamento clínico e a qualidade do ambiente de aprendizagem é que ele deixará de ser uma máscara e se tornará um espelho verdadeiro e transformador da educação médica brasileira.



