A gravidez na adolescência não é apenas um número em relatórios ou estatísticas de saúde pública. Ela carrega histórias interrompidas, sonhos adiados e infâncias que acabam cedo demais. Meninas que ainda estão descobrindo quem são acabam, muitas vezes sozinhas, assumindo responsabilidades para as quais não foram preparadas, emocional, social ou fisicamente.
No Brasil, centenas de milhares de adolescentes se tornam mães todos os anos. Por trás desses dados, há desigualdades sociais profundas, falta de acesso à informação, ausência de acolhimento e, não raramente, silêncio. Um silêncio que adoece, exclui e perpetua ciclos de vulnerabilidade.
A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência é um chamado coletivo. Prevenir não é punir, julgar ou culpar. Prevenir é educar, informar, acolher e estar presente. É garantir acesso a métodos contraceptivos, a orientação qualificada, a apoio psicossocial e, sobretudo, a uma rede de proteção que respeite a dignidade de meninas e adolescentes.
O SINDMEPA reafirma seu compromisso com a defesa da saúde integral, dos direitos humanos e da proteção da infância. Acreditamos que nenhuma menina deve ser empurrada para uma maternidade precoce sem escolha, sem preparo e sem suporte. Proteger meninas hoje é cuidar do futuro das famílias, das comunidades e do país.
Como médicos e médicas, somos chamados a mais do que tratar consequências. Somos chamados a escutar, orientar e agir. Com empatia, responsabilidade social e compromisso ético.
Porque nenhuma infância deveria terminar antes do tempo.



