SINDMEPA critica duramente denúncia de rebaixamento de plantão médico após entrada de empresa gestora

O Sindicato dos Médicos do Pará (SINDMEPA) recebeu com extrema preocupação a denúncia de que, após a entrada da empresa On Saúde na gestão do Hospital Santa Terezinha, o valor do plantão médico de 6 horas teria sido reduzido de R$ 600 para R$ 460. Caso confirmada, a medida representa um grave ataque à dignidade profissional do médico, à valorização do trabalho médico e à própria qualidade da assistência prestada à população.

A denúncia é ainda mais revoltante porque o valor anterior, segundo os relatos recebidos, já estaria sem reajuste desde o período da pandemia. Ou seja: em vez de corrigir uma defasagem histórica, a nova gestão teria optado por aprofundar a precarização.

A contradição é evidente. Em seu material institucional, a própria Onsaúde afirma atuar com “valorização profissional”, “facilidades de negociação e pagamentos para os médicos” e “compromisso nos repasses e pagamentos”. No entanto, se a redução denunciada estiver de fato ocorrendo, o discurso institucional colide frontalmente com a prática. 

Não se trata apenas de remuneração. Trata-se de respeito. Reduzir plantão médico em um cenário de inflação acumulada, sobrecarga assistencial, escassez de profissionais em diversas regiões e crescente exigência técnica é uma escolha que desorganiza escalas, desestimula equipes e empurra a assistência para um modelo de rotatividade, insegurança e descontinuidade.

A imprensa paraense já registrou problemas envolvendo a On Saúde em outros contextos, inclusive denúncias de atraso de pagamento a médicos terceirizados no PSM da 14, em Belém, além de reportagens sobre a crise prolongada de pagamentos na rede municipal. Esses antecedentes tornam ainda mais necessária a apuração rigorosa de qualquer denúncia envolvendo redução remuneratória ou precarização das condições de trabalho. 

O SINDMEPA entende que saúde não pode ser administrada com lógica de rebaixamento de honorários, compressão de plantões e desvalorização do corpo clínico. O médico não é custo descartável de planilha. Quando a remuneração é achatada, quem paga a conta no fim é a população, porque a precarização afasta profissionais, fragiliza vínculos e compromete a estabilidade das equipes.

Diante da gravidade da denúncia, o SINDMEPA defende:
1. transparência imediata sobre os contratos e critérios adotados pela gestão;
2. esclarecimento formal do hospital e da empresa responsável;
3. garantia de que não haverá rebaixamento arbitrário dos valores pagos aos médicos;
4. abertura de diálogo com a categoria;
5. apuração das condições de contratação, pagamento e manutenção das escalas.

O Sindicato reafirma que não aceitará a normalização da desvalorização médica no Pará. Nenhuma empresa pode chegar a uma unidade de saúde prometendo eficiência e entregar arrocho. Nenhuma gestão séria fortalece a assistência diminuindo o valor do trabalho de quem sustenta o atendimento.

Trabalho médico exige respeito, remuneração justa e compromisso real com a assistência. Precarização não é gestão. É retrocesso.

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