O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), por meio de sua diretoria em Santarém, levou à pauta da reunião do Conselho Municipal de Saúde, realizada no dia 03 de setembro de 2025, a crescente onda de violência contra médicos e demais profissionais de saúde nos serviços públicos do município.
A entidade alertou para a situação crítica enfrentada por trabalhadores da saúde, especialmente nas unidades de urgência e emergência, como a UPA 24h e o Hospital Municipal de Santarém.
Segundo relatos recebidos pelo sindicato, o número de casos de agressões verbais e físicas vem aumentando de forma alarmante, criando um ambiente de medo, insegurança e sofrimento psicológico entre os profissionais. As denúncias apontam que as agressões estão diretamente relacionadas à precariedade dos serviços, à sobrecarga de trabalho e à ausência de condições mínimas para o atendimento digno da população.
De acordo com a Dra. Nastia Irina de Sousa Santos, integrante da diretoria colegiada do Sindmepa em Santarém, “os profissionais estão adoecendo mentalmente por terem que trabalhar em serviços que não garantem segurança, estrutura e apoio adequado. As equipes estão reduzidas, exaustas e constantemente expostas a situações de risco, o que compromete não apenas a saúde dos trabalhadores, mas também a qualidade da assistência prestada.”
A representante do sindicato reforça que a responsabilidade pela situação não deve recair sobre os profissionais, que também são vítimas do colapso do sistema:
“A população, infelizmente, acaba direcionando sua revolta aos trabalhadores da saúde, quando, na verdade, o problema é a ausência de políticas públicas eficazes e a má gestão dos serviços. É preciso que a Secretaria Municipal de Saúde tome medidas urgentes para proteger os profissionais e garantir condições de trabalho dignas, como prevê a nova resolução do Conselho Federal de Medicina de 2025.”
O Sindmepa solicitou formalmente à Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) que apresente um plano de ação para minimizar os riscos de agressões aos trabalhadores, promovendo um ambiente de trabalho seguro, com equipes completas, abastecimento adequado de medicamentos e insumos, além da retaguarda necessária de exames e leitos hospitalares.
A entidade também denunciou que os serviços de urgência e emergência do SUS em Santarém continuam operando com número insuficiente de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais. A estrutura atual viola a legislação vigente e as resoluções dos Conselhos Federais de Medicina e Enfermagem, colocando tanto os profissionais quanto os usuários em situação de vulnerabilidade.
O Sindmepa reforça que continuará atuando junto aos conselhos e à gestão municipal para defender os direitos dos médicos e médicas e garantir que a saúde pública em Santarém seja conduzida com responsabilidade, segurança e respeito a todos os envolvidos.



