O Sindicato dos Médicos do Pará (SINDMEPA) marcou presença na COP30, nesta última quarta-feira (12), durante o painel “Saúde na Amazônia e Ação Climática: Conexão para a Contribuição Nacional Determinada no Contexto Global”, realizado na Green Zone, no Pavilhão Pará.
O encontro reuniu médicos, acadêmicos, especialistas e representantes da Federação Médica Brasileira, reforçando a importância de incorporar a saúde nos debates sobre mudanças climáticas, especialmente em um território tão vulnerável quanto a Amazônia.
O sindicato participou ativamente das discussões, que abordaram como eventos climáticos extremos, destruição ambiental e mudanças no ecossistema amazônico afetam diretamente a saúde humana, desde o avanço de doenças infecciosas até impactos na infraestrutura e no bem-estar das populações tradicionais e urbanas.
Para Eduardo Amoras, diretor de Comunicação do SINDMEPA e um dos painelistas, estar na COP30 é fundamental para aproximar a medicina dos desafios ambientais. “O Sindicato dos Médicos, junto com a Federação Médica Brasileira, está muito feliz em participar da COP30 aqui em Belém. É o maior evento para discutir as alterações climáticas. Vamos levar esse debate para nossas diretorias, para que as mudanças climáticas passem a integrar nossas discussões, porque afetam diretamente a saúde e o meio ambiente. Isso é extremamente importante”, afirmou.
O diretor financeiro do SINDMEPA, Paulo Bronze, destacou que o painel representou um momento de integração entre diferentes áreas do conhecimento. “Houve uma agregação de saberes entre infectologistas, representantes da federação médica e o núcleo acadêmico. Isso traz não só visibilidade para a população e para os nossos associados, mas também reforça a necessidade de aprofundar essas discussões”, disse.
Segundo ele, o painel resultou em uma proposta: criar uma mesa permanente dentro do sindicato para aprofundar o tema e elaborar uma carta a ser encaminhada às autoridades competentes.
“Precisamos discutir com mais calma, com mais tempo, para produzir um documento que contribua para ações concretas”, completou.
Entre os participantes, a fala que chamou atenção foi a de Francisca Pereira, do Amazonas, mestre em Meio Ambiente. Ela destacou a novidade, e a urgência, de conectar saúde e clima no debate público.
“Eu nunca tinha ouvido uma discussão que conectasse diretamente meio ambiente e saúde dessa forma. Achei fantástico. Já passou da hora desse tema entrar em pauta, porque é o ser humano quem impacta e também sofre os efeitos das mudanças ambientais”, afirmou.
Francisca reforçou a importância de inserir essas informações na formação acadêmica e nas políticas de saúde. “A saúde tem tudo a ver com as questões climáticas. Com informação, o impacto positivo no meio ambiente é muito maior. Fiquei muito feliz de ver esse assunto finalmente aparecer com a relevância que merece”, disse.
A participação do SINDMEPA na COP30 evidencia a crescente compreensão de que a crise climática não é apenas ambiental, mas também sanitária. Doenças, qualidade de vida, segurança alimentar e até condições de trabalho dos profissionais de saúde já estão sendo afetadas pelos extremos climáticos.




