Sindmepa participa do 1º Congresso da Mulher Médica, em Maceió

O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) participou do 1º Congresso da Mulher Médica, promovido pela Federação Médica Brasileira (FMB), realizado nos dias 12 e 13 de março, em Maceió (AL). O encontro reuniu médicas, dirigentes sindicais e especialistas de diversas regiões do país para discutir os desafios enfrentados pelas mulheres no exercício da medicina e no mercado de trabalho.

A abertura oficial do congresso ocorreu na sede do Sindicato dos Médicos de Alagoas e marcou um momento importante de debate sobre igualdade de oportunidades, valorização profissional e ampliação da participação feminina nos espaços de decisão dentro da medicina.

Representaram o Sindmepa no evento a diretora de Assistência Jurídica, Defesa Profissional e Condições de Trabalho, Nástia Irina de Sousa Santos, o diretor financeiro Paulo Bronze, o diretor de administrativo Dr. Emanuel Resque, além do Núcleo Acadêmico da entidade, representado pelas acadêmicas de medicina Sarah Farias Câmara, diretora-geral do núcleo, e Isadora Freitas, vice-diretora.

Diretora de Assistência Jurídica, Defesa Profissional e Condições de Trabalho, Nástia Irina de Sousa Santos

Políticas trabalhistas e desigualdades na medicina

Durante o congresso, a médica Nástia Irina de Sousa Santos, que também é conselheira fiscal da Federação Médica Brasileira, apresentou o tema “Políticas trabalhistas”, trazendo reflexões sobre as desigualdades estruturais que ainda marcam a presença feminina na medicina.

Em sua exposição, ela destacou que, embora as mulheres já representem a maioria da profissão médica no Brasil, essa realidade ainda não se traduz em igualdade nos espaços de liderança e decisão dentro das entidades médicas e das instituições de saúde. “Hoje somos maioria na medicina brasileira, mas isso ainda não significa igualdade nos espaços de poder e representação”, afirmou.

Nástia também ressaltou que o debate sobre o trabalho médico precisa considerar não apenas o trabalho exercido nos serviços de saúde, mas também o chamado trabalho reprodutivo, relacionado às responsabilidades domésticas e familiares, que ainda recaem de forma desproporcional sobre as mulheres e impactam suas trajetórias profissionais. “Quando falamos de trabalho médico, precisamos olhar para toda a realidade que envolve a vida das médicas, inclusive as responsabilidades familiares que muitas vezes influenciam diretamente suas carreiras”, destacou.

A médica também mencionou contribuições da socióloga Elisabeth Souza Lobo, referência nos estudos sobre trabalho e gênero no Brasil, ressaltando que diversas pesquisas mostram que as desigualdades entre homens e mulheres também se refletem na medicina, especialmente na remuneração, no acesso a cargos de liderança e nas oportunidades de progressão profissional.

Sarah Câmara, diretora-geral do Núcleo Acadêmico do Sindmepa

Participação do Núcleo Acadêmico
O Núcleo Acadêmico do Sindmepa também esteve presente na programação do congresso. A acadêmica Sarah Câmara, diretora-geral do núcleo, atuou na presidência de uma das mesas de debate do evento, realizando a abertura e conduzindo as discussões.

Já a acadêmica Isadora Freitas, vice-diretora do Núcleo Acadêmico, participou da apresentação de uma miniconferência dedicada ao tema violência contra a mulher médica, que abordou diferentes formas de violência enfrentadas por profissionais da área, como assédio moral, abuso sexual, violência patrimonial e outras situações de desrespeito que podem ocorrer tanto durante a formação quanto no exercício da profissão.

Um momento histórico para a medicina
O congresso ocorre em um momento de transformação na medicina brasileira. Pela primeira vez, as mulheres se tornaram maioria entre os médicos no país, e estimativas apontam que a participação feminina poderá chegar a cerca de 56% da profissão até 2035.

Apesar do avanço numérico, os desafios permanecem. Questões relacionadas à valorização profissional, às condições de trabalho, à proteção de direitos, ao enfrentamento da violência e à ampliação da presença feminina nos espaços de liderança seguem exigindo reflexão e ação coletiva.

Para o Sindmepa, a participação no congresso reforça a importância de ampliar o debate sobre equidade de gênero na medicina e fortalecer a atuação sindical na defesa de melhores condições de trabalho para todos os profissionais da área.

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