O Sindicato dos Médicos do Pará (SINDMEPA) manifesta profunda indignação e solidariedade diante do grave episódio de violência ocorrido recentemente em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no Piauí, onde uma enfermeira foi brutalmente agredida, sofrendo fraturas no rosto e na perna enquanto exercia suas funções.
Infelizmente, esse caso não é isolado. Em todo o Brasil, médicos, enfermeiros, técnicos e demais trabalhadores da saúde têm sido alvos frequentes de agressões físicas, verbais e psicológicas nos próprios locais de trabalho, espaços que deveriam ser de cuidado, acolhimento e proteção à vida.
Violência institucionalizada e silenciosa
O SINDMEPA alerta que a violência contra profissionais de saúde não ocorre de forma isolada, mas é consequência de problemas estruturais e sistêmicos, como superlotação das unidades de atendimento, falta de estrutura adequada, escassez de profissionais, longas filas e demora no atendimento, além da ausência de segurança nas unidades de saúde.
Realidade no Pará
No Pará, o SINDMEPA acompanha e denuncia, de forma recorrente, casos de ameaças, agressões verbais e tentativas de violência física contra médicos e equipes de saúde, muitas vezes em unidades sem qualquer tipo de segurança.
Segundo relatos recentes, o médico Vinicius Pinto Savino, cirurgião geral e aparelho digestivo, relatou: “Por muito pouco não fui esfaqueado na UPA enquanto atendia um paciente embriagado. Além de ser vítima, já presenciei tentativas de agressão física e verbal com outros colegas plantonistas da emergência.”
Em outro episódio, ele relatou: “O acompanhante de uma paciente, policial militar, ameaçou a plantonista com sua arma para que ela atendesse sua familiar, mesmo não sendo uma emergência. Tive que chamar a polícia para que ele entregasse a arma e fosse retirado.”
Ele também contou: “Outra colega foi agredida na UPA, com palavras obscenas, e o paciente jogou a ficha de atendimento no rosto da médica.”
Esses episódios geram adoecimento físico e mental, afastamento do trabalho, insegurança profissional e comprometem diretamente a qualidade da assistência à população.
SINDMEPA defende medidas urgentes
O SINDMEPA reforça que nenhuma agressão é justificável. Profissionais de saúde não podem continuar trabalhando sob medo, expostos à violência e à omissão do poder público. Entre as medidas defendidas pelo sindicato estão políticas públicas efetivas de segurança nas unidades de saúde, presença de vigilância adequada, protocolos claros para prevenção e enfrentamento da violência, responsabilização rigorosa dos agressores e valorização real dos profissionais da saúde.
Solidariedade e compromisso
O SINDMEPA se solidariza com a enfermeira agredida no Piauí, com seus familiares e com toda a equipe de saúde envolvida. Reafirma seu compromisso permanente na defesa da dignidade, integridade física e psicológica, e do respeito aos profissionais da saúde, no Pará e em todo o Brasil.



