As síndromes hipertensivas, como a pré-eclâmpsia, continuam sendo a principal causa de morte materna, fetal e infantil no estado do Pará, representando cerca de 60% dos casos. Essas condições estão diretamente ligadas à vulnerabilidade social das gestantes, como insegurança alimentar e falta de acesso a cuidados básicos de saúde.
Com o objetivo de identificar as causas dessas mortes e evitar que novos casos ocorram, o Comitê Estadual de Prevenção de Morte Materna, Fetal e Infantil realiza reuniões mensais, reunindo diversas entidades e profissionais da saúde. Na reunião desta última quinta-feira (24), o Sindicato dos Médicos do Pará (SINDMEPA) esteve presente, contribuindo para o debate sobre medidas preventivas e responsabilidades compartilhadas.
Durante a reunião, o SINDMEPA destacou a necessidade de garantir condições mínimas de trabalho para os profissionais da saúde: “Como é possível implementar um programa de pré-natal eficiente sem o suporte de uma retaguarda laboratorial? Não estamos falando de equipamentos complexos, e sim do básico: uma balança, fita métrica, sonar. Não se trata de tomografia ou ressonância magnética. É o essencial para um atendimento de qualidade. Falta comprometimento com o básico.”
A atuação do comitê visa não apenas compreender os fatores diretos que levam aos óbitos, mas também cobrar melhorias na estrutura dos serviços de saúde e articular ações intersetoriais que envolvam a comunidade, assistência social e órgãos de controle. Segundo o SINDMEPA, mais de 90% dessas mortes são evitáveis com o comprometimento dos profissionais, gestores e da sociedade.



