No Dia Internacional de Combate à Endometriose, o Sindicato dos Médicos do Pará (SINDMEPA) chama atenção para os desafios no diagnóstico precoce da doença e para os impactos na vida das pacientes, especialmente na rede pública de saúde do estado.
A endometriose é uma condição que pode causar dores intensas, alterações no ciclo menstrual e até impactos na fertilidade, exigindo investigação especializada. Ainda assim, o diagnóstico, em muitos casos, ocorre de forma tardia.
De acordo com o médico ginecologista e obstetra e diretor financeiro do SINDMEPA, Dr. Paulo Bronze, o processo de diagnóstico é complexo e depende de exames específicos, que nem sempre estão amplamente disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Para diagnosticar endometriose é preciso uma investigação que envolve exames como ultrassom com preparo intestinal, ressonância magnética da pelve e, em alguns casos, videolaparoscopia, que é o padrão ouro”, explica.
Ele destaca que outro desafio está na suspeita clínica, principalmente na atenção básica, o que contribui para o atraso na identificação da doença.
“O ginecologista precisa pensar em endometriose. Na atenção básica isso é mais difícil, porque nem sempre o médico está treinado para lembrar da doença logo no início”, afirma.
Segundo o especialista, esse cenário contribui para que o diagnóstico da endometriose leve, em média, cerca de sete anos para ser confirmado. Esse atraso impacta diretamente a vida das pacientes, que convivem com dores recorrentes e prejuízos na rotina.
“A paciente acaba tendo prejuízo laboral, falta ao trabalho, falta à escola. É um problema muito sério de saúde pública”, destaca o médico.
Para o SINDMEPA, o enfrentamento da endometriose passa pelo fortalecimento da capacitação médica, ampliação do acesso a exames e qualificação da rede de atenção, com foco no diagnóstico mais precoce.



