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Organizações querem políticas públicas às pessoas com epilepsia no Pará

A projeção da Organização Mundial de Saúde é que hoje 1% da população tem epilepsia. No Pará, isso representa 8 mil pessoas, das quais 70% respondem à reabilitação convencional feita na rede básica de saúde pública, entretanto, os demais não respondem a isso nem contam com alternativa terapêutica e cirúrgica. Na opinião de especialistas, o tratamento ainda é isolado, desarticulado e esse contingente precisa ser investigado e diagnosticado, para permitir a conduta mais adequada de controle da doença e melhoria na qualidade de vida dos pacientes.

Uma das possibilidades para mudar esse quadro é a elaboração de um plano de estratégias para que o Sistema Único de Saúde (SUS) se organize e atenda o paciente em um centro de tratamento específico no Estado. Nesse sentido, importante passo foi dado durante o Fórum de Dirigentes e Gestores da Saúde e Diretrizes para o Plano Estadual da Epilepsia, no qual ficou definida a criação de um Grupo de Trabalho (GT) à construção de políticas públicas para o atendimento de pacientes com epilepsias, focadas desde a assistência básica até o serviço de urgência de média e alta complexidade.

O fórum fechou a II Jornada Acadêmica do Serviço Caminhar; o I Encontro de Pais, Familiares e Amigos do Caminhar; e a I Jornada Paraense de Epilepsias. Os eventos, organizados pelo Serviço de Crescimento e Desenvolvimento – Caminhar, vinculado ao Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), da Universidade Federal do Pará (UFPA), aconteceram de 21 a 23 da última semana. Os eventos ocorreram das 8h às 17h e trouxeram palestras, conferências, mesa redonda, oficinas, entre outras atividades.

A programação contou com considerada participação de profissionais de saúde, professores da rede pública de ensino e das famílias dos pacientes do serviço. “Nossa meta de profissionais de saúde e de educadores superou as expectativas. Foram cerca de 35 participantes por área. Outro ponto positivo foi firmarmos compromisso com a Secretaria de Saúde do Estado do Pará (Sespa) para criarmos um grupo de discussão à elaboração de políticas públicas específicas para o tendimento de pacientes de epilepsia”, enfatizou a coordenadora do Caminhar, a geneticista Isabel Neves.

Eunice Begot, assessora de gabinete do secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, garantiu que a Sespa estará à disposição dos idealizadores do GT de Epilesia, do Bettina Ferro e Hospital Divina Providência, que também atende nesta área de pelo SUS, para articular com outras organizações as propostas de assistência às pessoas que sofrem de epilepsia. A expectativa é que a primeira reunião do grupo aconteça em novembro.

Ambulatório – O Serviço Caminhar conta com seis ambulatórios, que atendem cerca de 4,5 mil crianças especiais, de 0 a 12 anos. Um deles é do de Neuropediatria, no qual são atendidas crianças com epilepsias e paralisia cerebral. De 2013 a 2014, uma das médicas do espaço, a neuropediatra Helena Feio, realizou 250 atendimentos a pessoas com epilepsia, que fizeram a consulta e são acompanhadas regularmente. “Algumas epilepsia da criança tem cura. A do adulto mesmo sem cura pode ter bom controle com uso da medicação e a pessoa pode ter uma vida normal”, afirmou Helena Feio.

O destaque ficou também por conta da neuropediatra Madacilina Teixeira, do HUBFS, que abordou a forma de tratamento convencional com as drogas antiepiléticas, no manejo e a forma de associação dessas drogas. “Cada vez mais se sabe da importância das substâncias para o controle das epilepsias, que não há como controlá-las se não houver interferência medicamentosa. Se não for assim, poderá ocasionar várias sequelas, alterações neurológicas e psiquiátricas”, enfatizou a médica.

Para Madacilina faz-se necessário uma maior divulgação sobre os tabus que existem ainda em relação às epilepsias, para que sejam rompidos na sociedade, “porque o melhor é dar a medicação a esse paciente, para que tenha qualidade de vida a deixá-lo sem medicação e sujeitos a crises e riscos de outras patologias”, afirmou a neuropediatra.

Texto e fotos: Cleide Magalhães e Edna Nunes – Ascom/HUBFS/UFPA.

 

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