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As campanhas preventivas e a oferta de serviços públicos

Waldir Araújo Cardoso, presidente da Federação Médica Brasileira (FMB)

 

As campanhas de prevenção às doenças, como as do câncer de mama e próstata, que têm repercussão em todo o mundo, nos levam a uma reflexão: “Que tipo de estrutura é disponibilizada na rede pública aos pacientes que observam as campanhas e vão em busca de atendimento médico e dos exames indicados ou sugeridos?”.

Vejamos um exemplo: ao passo que a campanha Outubro Rosa orienta as pacientes a fazerem anualmente a mamografia, o Ministério da Saúde orienta que o exame de rastreamento seja realizado a cada dois anos apenas para mulheres entre 50 e 69 anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) defende que a mamografia seja realizada em todas as faixas etárias, principalmente em casos onde há a ocorrência familiar.

Cabe perguntar: como incentivar a população à prevenção se a entidade que disponibiliza os serviços de saúde aos brasileiros não oferta esses serviços na demanda necessária e nem orienta os pacientes para tal?

Quantos brasileiros esperam em filas para atendimento médico de especialidade e para a realização de exames? Não é exagero afirmar que essa situação é verificada em praticamente todas as unidades de saúde pública do país. São raros os casos onde os pacientes conseguem realizar um tratamento preventivo. E onde isso ocorre, dá-se muito mais por empenho das equipes médicas e demais profissionais da saúde do que propriamente, por disponibilidade da estrutura pública.

Nós médicos sabemos o quanto demora o retorno de um paciente após o pedido de um exame, a demora dele seguir uma rotina preventiva de saúde, realizando exames anuais após ter conseguido a consulta com o mesmo médico.

Não podemos nos acomodar com essa situação de enfeitar prédios nas cores das campanhas, de usar fitinhas coloridas para demonstrar nosso apoio a esta ou àquela campanha. Devemos nos organizar e cobrar ações efetivas que garantam acesso da população à saúde de qualidade.

Vamos insistir no reforço incessante de ampliar e qualificar o investimento em saúde e em recursos humanos. Só assim poderemos realmente colocar em prática todas as campanhas de todas as cores que nos são lembradas mensalmente. As campanhas são importantes e devemos apoiá-las. Mas com a consciência de que as autoridades públicas ainda estão devendo as efetivas condições materiais para que todos os brasileiros respondam positivamente ao seu chamado.

 

Foto: Rubens Flores

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