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Amorosidade, amizade e perdão: receita para quem quer viver mais e com saúde

“Segredos para uma vida longa com qualidade”. Um tema que parece corriqueiro revelou a presença em Belém de uma sumidade na área da oncologia no país: Nise Yamaguchi, 58 anos, médica do Hospital Albert Einstein, onde é considerada pioneira na humanização do tratamento de pacientes de câncer; diretora executiva e clínica do Instituto Avanços em Medicina, que trabalha com uma visão holística do portador de câncer, e consultora do International Prevention and Research Institute, em Lyon, na França, onde participa de um grupo de trabalho para países de baixa e média renda. Ela foi uma das conferencistas do XIX Congresso Médico Amazônico, que aconteceu de 23 a 25.06, em Belém.

Descendente de imigrantes japoneses, Nise recomenda vida saudável, boa alimentação, amor, amizade e meditação como forma de melhorar o sistema imunológico. No sábado, ela concedeu entrevista à jornalista Marta Brasil:

Com a Sra. resume o tema da sua palestra no Congresso Médico Amazônico?

A qualidade de vida, as interferências neuroendócrinas da felicidade, da amorosidade, dos amigos, como rede, melhorando nosso sistema imunológico e a nossa quantidade de anos bons e de saúde.

A Sra. quer dizer que amar ou ser mais amado ou ter mais amigos pode interferir no resultado do tratamento de um paciente?

Sim. Nós temos hoje uma série de remédios biológicos, a imunidade sendo um dos elementos importantes para isso, mas tem coisas muito mais simples que a gente pode fazer como o cuidar, como encontrar amigos, como ser feliz, como buscar, reconhecer as próprias falhas, melhorar o ambiente de trabalho, tudo isso são coisas que estão ao nosso alcance e que podem, sim, nos proteger também com relação à saúde. E tem também a questão do exercício, diminuir a quantidade de alimentos, emagrecer, melhorar…isso também não custa nada…

A Sra. tem alguma teoria sobre porque os casos de câncer estão aumentando tanto no Brasil?

Estão aumentando no Brasil e no mundo. Principalmente pelos hábitos pouco saudáveis, pelo tipo de vida que o ser humano ocidental tem levado. O excesso de toxinas, o excesso de aditivos (adubos e inseticidas), eles são multagênicos, de carnes processadas, o fast food, tudo isso é bastante agressivo para o organismo. Acho que (o ser humano) tem que voltar um pouco às questões mais naturais e fazer uma reavaliação de quem somos, para que estamos aqui, quais são nossas funções, nossos ideais, o que nos torna felizes. Isso tudo hoje entra na equação de como o organismo vai ficar mais saudável. Fazermos exercícios, trabalharmos naquilo que gostamos, buscarmos objetivos de vida comuns, ao bem comum, e sermos amigos, mais amigos, afetivos, perdoarmos mais, trabalharmos em prol de um mundo melhor.

A Sra. falou sobre os alimentos funcionais. Como eles podem ajudar pacientes de câncer e de outras doenças a melhorar e até alcançar a cura?  

Eu falei sobre a integração nos aspectos nutricionais que levam a uma interferência no genoma da célula. Então, a nutrogenômica, é como os alimentos funcionais, que são aqueles que fazem bem – alimentos orgânicos, integrais, óleo de linhaça, azeite de oliva, produtos da natureza ligados à cúrcuma, frutas verdes, vermelhas, amarelas… Isso tudo melhorando a nossa dimensão genômica, os genes, que vão regulando os processos adequados do organismo, como o sono, o exercício, interfere também. Quer seja fazendo com que nosso sistema endócrino-imunológico funcione melhor, isso tendo uma relação com os ritmos circadianos, que nós chamamos de ciclos lunares, ciclos solares no nosso organismo. Então, somos uma parte integrante do universo.

Então, é necessário uma mudança radical na alimentação…

Ainda a mudança de hábitos é uma dificuldade no ser humano. Acho que a gente deve começar a falar cada vez mais na interferência na microbiota, quer seja, o intestino tem uma flora intestinal que depende dos alimentos que nós comemos. Então, quanto mais derivados de carnes processadas, quanto mais gorduras saturadas animais, com queijos, menos o organismo funciona. Então, isso tudo vai ter que entrar realmente numa modificação na visão médica das questões.

Como a Sra, vê essas dietas indicadas para pacientes de câncer, como as dietas cetogênicas (que propõem a supressão do carbohidrato), por exemplo?

Dieta com menos carbohidratos é bem-vinda. A dieta com menos derivados de leite e gorduras também é bem-vinda. A cetogênica ela tem uma ação em relação a tumores cerebrais, já mostrou que tem uma ação boa. Agora, o excesso de carne ainda é um problema. Então, de preferência, peixes. De preferência, peixes que não tenham muito mercúrio né e que sejam peixes saudáveis. Então, nós temos que ter um balanço. Eu tenho a impressão de que o mundo vai ter que aprender novos caminhos. A gente vai ter que integrar conhecimentos à cultura, homeopatia, medicina integrativa, a meditação, elas vão ser parte dos tratamentos do paciente como um todo.

Meditação?

Sim, meditação. Porque isso aumenta os eixos de regeneração cerebral. A produção de novos neurônios e de mais sinapses. Então, nós podemos aumentar nossa capacidade cognitiva, a nossa capacidade de concentração, de memória e de melhoria do funcionamento do organismo com meditação.

A Sra. acha que a quimioterapia é uma alternativa viável para combater o câncer?

Ela é um tratamento necessário em muitos casos, regride tumores, e ela precisa ser integrada aos alvos moleculares, imunologia de tumores, tem toda agora uma gama de coisas que acontecem simultaneamente.

E a Imunoterapia, o que seria?

São substâncias que resolvem fazer com que o sistema imunológico funcione de novo. Ele estava meio amortecido, por assim dizer, e ele passa a funcionar adequadamente. A imunoterapia é bastante eficiente em câncer de rim, de pulmão, melanoma, câncer de bexiga, de cabeça e pescoço. Então tem vários tratamentos que são feitos, preferencialmente, com imunoterapia e algumas vezes a quimioterapia associada à imunoterapia. Então, nós temos hoje a oportunidade muito interessante de fazer uso de substâncias de diversos tipos.

É possível baratear custos para que pacientes de baixa renda possam ter acesso a esses tratamentos e mais vidas possam ser salvas?

Sim, com certeza. Acho que custos, gerenciamento de riscos e benefícios, de eficiência, é fundamental. Então, nós vamos ter que trabalhar nessa direção e ajudarmos o planeta a ficar melhor. Mas também fazermos acesso aos pacientes de câncer de diversos lugares do Brasil e do mundo.

A Sra. é considerada a pessoa que introduziu uma visão de atendimento mais humanizado aos pacientes de câncer. Como isso funciona?

É fundamental o bem-estar psicossocial das pessoas, o papel do amor, o cuidado do médico, da enfermeira, no sentido de melhorar a compreensão do paciente em relação à doença, mas também com relação a si mesmo. Então, nós como médicos, temos que nos integrarmos aos pacientes de uma forma mais amorosa, mais cuidadosa. Todo esse aspecto trabalha, a nível inconsciente, na homeostase, que é o funcionamento adequado do organismo. Então, o coração tem que bater, o fígado funcionar, o rim funcionar de uma forma harmônica.

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