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Belo Monte e seus impactos na saúde

A construção de hidrelétricas na Amazônia e seus impactos no meio ambiente como perdas da biodiversidade, desmatamento e mudanças climáticas geram problemas de saúde às populações locais? As pesquisadoras Rosa Carmina de Sena Couto, médica sanitarista, e Rosa Elisabeth Acevedo Marin, antropóloga, dizem que sim. E mais: sugerem o cancelamento de todos os projetos hidrelétricos na Amazônia e a diversificação da matriz energética brasileira, aumentando investimentos em outras formas de energia, como a eólica, solar e biomassa para responder as demandas da sociedade.

Esses e outros debates estão no livro Hidrelétrica Belo Monte: impactos na Saúde, organizado pelas duas estudiosas que gerou uma roda de conversa na semana passada, durante a 13ª Conferência Estadual de Saúde, que teve como tema: Democracia e Saúde, no Hangar. O livro distribuído pelas organizadoras contou com o patrocínio do Sindmepa.

Hidrelétrica de Belo Monte Imagem: Mundo Educação

AÇÕES

A hidrelétrica de Belo Monte foi construída durante o governo da Presidenta Dilma Roussef, sendo expedida a licença de operação em novembro de 2015, permitindo o enchimento do lago para a geração de energia. Ao longo do processo de instalação da hidrelétrica, que começou ainda em 2010 com a apresentação da licença prévia, 23 ações civis públicas foram ajuizadas e outra ações foram propostas por diversos segmentos denunciando irregularidades e pedindo a paralisação da obra. O que não foi feito.

Ao analisar os impactos da hidrelétrica sobre a saúde das populações diretamente atingidas, Rosa Carmina afirma que a leishmaniose tegumentar americana apresentou coeficientes de detecção duas a quatro vezes acima dos coeficientes do estado do Pará, O que já é considerado alto; houve epidemias de dengue na maioria dos municípios atingidos. “O sistema local de saúde não foi preparado para atender a demanda de cem mil pessoas que migraram para Altamira e outros municípios da área de influência direta de Belo Monte”, concluiu. O único indicador positivo mostrado na pesquisa foi o que se refere à incidência de malária, que apresentou tendência de controle.

Ela aponta ainda o “deslocamento compulsório” de populações que habitavam a área diretamente afetada, o que resulta em doenças infecciosas, insegurança alimentar, “além de problemas mentais em virtude da incerteza e insegurança relacionadas à nova situação”.

“Com Belo Monte mais uma vez a Amazônia perdeu. O rio Xingu foi destruído em sua rica biodiversidade, sua riqueza cultural e étnica”, afirma a médica pesquisadora. “A Amazônia precisa de um modelo de desenvolvimento que priorize investimentos em saúde, educação, ciência e tecnologia e inovação, biotecnologia, exploração sustentável dos recursos naturais, energia renovável, investimentos em infraestrutura urbana para cidades sustentáveis e que respeite sua vocação fluvial”, conclui Rosa Carmina.

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