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Casos de síndrome respiratória aguda grave têm alta de 135% no Brasil, diz Fiocruz

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Após mais de um mês sem ser divulgado, em função do “apagão” que inviabilizou o acesso aos dados sobre a pandemia de Covid-19 no Brasil, a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada neste sábado (15/1), traz um balanço do atual cenário. A análise mostra um sinal forte de crescimento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas), tendência que se mantém desde a Semana Epidemiológica (SE) 48 (de 28/11 a 4/12 de 2021), data do último InfoGripe de 2021, confirmando o quadro apontado naquela edição. 

Segundo o Boletim, houve um aumento de 135% casos de SRAG das últimas três semanas de novembro em relação as três últimas semanas agora. Passou de 5,6 mil casos para 13 mil. “A velocidade com que com que a SRAG se espalha entre a população cresceu, semanalmente, de 4% para 30%”, afirmou o pesquisador Marcelo Gomes, responsável pelo InfoGripe.

O Boletim mostra ainda crescimento em todas as faixas etárias a partir de 10 anos, desde o final de novembro e início de dezembro até o presente momento. Os dados laboratoriais apontam que esse aumento foi consequência tanto da epidemia de gripe quanto pela retomada do crescimento de casos de Covid-19.

A publicação aponta que 25 das 27 unidades federativas apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a SE 1 (período de 2 a 8 de janeiro de 2022). O Estado do Rio de Janeiro, embora mostre estabilidade na tendência de longo prazo, tem indícios de crescimento na de curto prazo. Apenas Roraima mostra sinal de estabilidade nas tendências de longo e curto prazo.

Com exceção de Roraima e do Rio de Janeiro, todos os estados têm sinal de crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) na tendência de longo prazo, sendo que todos esses estão com o indicador em nível forte (probabilidade > 95%): Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Destes, apenas Amazonas e Rondônia apresentam sinal de estabilidade na tendência de curto prazo. Todos os demais apresentam sinal de crescimento, sendo este sinal moderado (probabilidade > 75%) no Amapá, Pará e Piauí e forte em todos os demais. No Rio de Janeiro observa-se sinal forte de crescimento na tendência de curto prazo, embora a tendência de longo prazo esteja em situação de estabilidade.

“Praticamente todos os estados apresentaram sinal de crescimento anterior às SE 52 de 2021 (26/12 a 1/1) e 1 de 2022 (2/1 a 8/1), deixando claro que tal contexto é anterior às celebrações de final de ano, reforçando a importância dos alertas quanto aos cuidados necessários à época. A manutenção da divulgação dos dados durante este período, certamente teria dado melhores condições para a população tomar decisões adequadas ao momento epidemiológico”, ressalta Gomes, coordenador do InfoGripe.

Vinte e quatro das 27 capitais mostram sinal de crescimento de longo prazo até a SE 1 – apenas Boa Vista, Porto Alegre e Rio de Janeiro não apresentam crescimento nessa tendência. No entanto, a capital fluminense tem sinal de crescimento na tendência de curto prazo, enquanto Boa Vista e Porto Alegre mostram sinal de estabilidade nas tendências de curto e longo prazo.

Dentre as que apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo, apenas em Teresina este sinal é moderado (probabilidade > 75%), enquanto que em Aracaju, Belém, Plano Piloto de Brasília e arredores, Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Manaus, Natal, Palmas, Porto Velho, Recife, Rio Branco, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória o sinal é forte (probabilidade > 95%).

“Assim como no caso dos dados estaduais, a imensa maioria das capitais com sinal de crescimento iniciaram esse processo antes da SE 52 de 2021 (26/12 a 1/1), de forma que é anterior às festas de final de ano, o que justifica as recomendações de cautela e implementação de restrições para minimizar o risco de agravamento do quadro epidemiológico à época”, destaca o pesquisador.

Faixas etárias: dado nacional

Foi registrado crescimento em todas as faixas etárias a partir de 10 anos, desde o final de novembro e início de dezembro até o presente momento. Tal cenário só não é observado na faixa de 0 a 9 anos, que ao final de dezembro apresenta interrupção do crescimento que se mantinha desde o mês de outubro de 2021. Gomes alerta que, na faixa entre 10 e 19 anos, é possível que o país já tenha atingido valores similares aos registrados nos picos de março e maio de 2021. 

Em relação às crianças de 0 a 9 anos, os resultados laboratoriais associados a esses casos apontam predomínio de vírus sincicial respiratório (VSR), com aumento de casos de Influenza A ao final de novembro e ao longo de dezembro de 2021. “No término de dezembro se observa também o retorno de casos de Sars-CoV-2 (Covid-19), período em que os dados ainda são parciais por conta da oportunidade de digitação dos casos e resultados laboratoriais”.

Resultados laboratoriais

Em todas as faixas etárias verifica-se aumento significativo de casos associados ao vírus influenza A (gripe) ao final de novembro e ao longo do mês de dezembro, tendo inclusive superado os registros de Covid-19 em algumas destas semanas. No entanto, os dados relativos ao final de dezembro e à primeira semana de janeiro apontam para a retomada do cenário de predomínio da Covid-19.

Na população infantil, na qual os vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A ainda prevalecem, também verifica-se tendência de aumento nos casos positivos para Covid-19. O pesquisador observa que o cenário de aumento de casos graves de influenza e de Covid-19, anteriores às festas de final de ano, sugerem que tais eventos podem ter representado risco significativo para a população, especialmente em eventos com muitas pessoas.

“Esse fato torna fundamental a retomada de ações de conscientização da população e minimização de risco para mitigar o impacto ao longo do início do ano de 2022. Tais dados também deixam claro a importância do cancelamento de grandes eventos de réveillon por parte das autoridades de diversas localidades, ainda que os dados de notificação estivessem apresentando problemas na sua divulgação”.

Os dados laboratoriais por unidades da Federação seguem um quadro muito similar em praticamente todos os estados, “sendo claro o início da epidemia de influenza A no Rio de Janeiro e rapidamente se espalhando para o restante do país”, comenta Gomes. Quanto à retomada do crescimento de SRAG associados à Covid-19, o Boletim mostra uma reversão clara a partir da segunda quinzena de dezembro em diversos estados, embora em alguns estados do Norte e Nordeste a Covid-19 tenha mantido alta positividade ao longo de todo o final do ano: Amapá, Maranhão e Pará apresentam tendência de crescimento nesses casos desde os meses de outubro ou novembro. 

Gomes chama a atenção para o fato de como “sempre há atraso entre a identificação de casos, o resultado laboratorial e a inserção do resultado no [Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe] Sivep-Gripe. Com isso, a população viral associada a casos recentes pode sofrer alterações significativas em atualizações seguintes”.

Fonte: Portal Fiocruz

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