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Escalpelamento: Alepa aprova lei que obriga uso de proteção em barcos; veja os cuidados necessários

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O Pará registrou um aumento de 44% nos casos de escalpelamento em 2021, com 13 ocorrências registradas. O aumento é referente ao ano anterior, quando 9 situações ocorreram. Em 2022, até então, foram registrados 3 acidentes desse tipo, sendo 2 no mês de janeiro e 1 em março. O balanço foi divulgado pela Marinha do Brasil, que detalhou que a maior incidência é no Arquipélago do Marajó.

Recentemente, a Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) aprovou o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) nº 5/2022 que altera o 2º artigo 39 da Constituição do Estado do Pará. A medida visa reduzir os riscos que os transportes aquaviários podem oferecer para a população que mais faz uso, como a ribeirinha e a da Ilha do Marajó, região destaque com maior incidência de números.

O Projeto de Lei nº 259/2021 dispõe sobre a obrigatoriedade do uso de proteção no motor, eixo e partes móveis das embarcações, para proteger os passageiros e tripulações do risco de acidentes e é um reforço à Lei 11.970/2.009, que também obriga as proteções. Ou seja, todos os donos de embarcações devem providenciar meios para que o motor do veículo não fique exposto. A Capitania dos Portos, oferece e instala esses equipamentos de forma gratuita, além de fiscalizar os barcos.

Escalpelamento é o nome dado para o arrancamento brusco e acidental do escalpo, o couro cabeludo. Geralmente, os casos ocorrem com mulheres que possuem cabelos longos e são em embarcações de pequeno porte durante pesca artesanal, transporte para a escola, ida para o trabalho ou outros locais. Em muitas situações, as vítimas ficam com graves deformações e podem chegar a morte.

O tratamento consiste em cirurgia plástica para reparar os danos, implante capilar e acompanhamento psicológico. As consequências deste tipo de acidente são grandes, dependendo da área afetada: dificuldades na visão, audição, fala, dores cervical e de cabeça crônicas, o que compromete a qualidade de vítima de quem sofreu o acidente, atingindo, inclusive, a parte profissional.

A Orvam, uma Organização Não Governamental (ONG), em Belém tem realizado trabalho ativo na área para evitar o preconceito e aumentar a autoestima de mulheres que sofreram o escalpelamento, confeccionando perucas que ajudam no resgate do bem estar e do empoderamento. Os voluntários fazem campanhas para doação de cabelos. Darci Lima, presidente da organização, diz que ainda assim, os desafios são enormes e visam alertar sobre os riscos. “Os maiores desafios são a falta de conscientização e fiscalização, que são poucas. Os pescadores não têm apoio público, o que deixa tudo super complicado. A maioria deles não quer colocar cobertura nos barcos pequenos utilizados no dia a dia”, pontua.

A peruqueira da ONG é uma vítima do escalpelamento que se dedica a avisar e levar conhecimento à população a respeito do acidente. Regina Formigosa, atualmente com 49 anos, sofreu o acidente aos 27, no município de Muaná, enquanto passeava de barco com a família. Os cabelos, longos, ficaram totalmente enrolados no eixo do motor. Ela foi atendimento por um hospital em São Sebastião da Boa Vista, mas precisou ser transferida para Belém. O tratamento total durou cinco meses e contou com todos os procedimentos reparadores, mas deixaram sequelas. “Atualmente, continuo tendo consultas. Sinto dor de cabeça e preciso fazer uso de medicação”, conta.

A falta de informações sobre o assunto dificultou ainda mais a aceitação de Regina à nova realidade. “Procurei entender o que era a vida de uma pessoa vítima de escalpelamento. Eu não sabia o que era o acidente quando sofri, fui saber pelo médico do hospital. Foi muito difícil, ainda é complicado até explicar o que a gente sente. A ONG me ajudou a entender o trauma que fica”, explica.

Recomendações aos usuários de embarcações:

– nunca arme rede ou sente de cabelos soltos perto do motor;

– prenda os cabelos, coloque um boné ou chapéu;

– evite usar colares ou cordões;

– mantenha as crianças sempre junto de você.

Fonte: O Liberal.com

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Sindicato dos Médicos do Pará