No interior do Pará, médica usa o teatro para levar ações de saúde à população
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No interior do Pará, médica usa o teatro para levar ações de saúde à população

Assim que todos tomam assento na sala de espera da unidade do Estratégia Saúde da Família (ESF), entram em cena os artistas do grupo de teatro Máscara Branca, que surpreendem uma animada plateia formada por homens, mulheres, idosos e crianças. O palco do espetáculo fica em Limoeiro do Ajuru, município com 27.760 habitantes, no nordeste do Pará, que convive com problemas de saúde comuns no interior do estado.

Aliado aos problemas estruturais como a falta de saneamento básico e água potável, a dificuldade de acesso à informação por parte dos moradores dificulta ainda mais as ações da equipe do programa Estratégia Saúde da Família, criado para levar atendimento de atenção básica à população. A introdução do grupo de teatro no acolhimento à comunidade foi a saída encontrada pela médica Mônica Coelho Rodrigues para superar a resistência da população, especialmente, dos idosos, às ações de acompanhamento e combate a doenças como diabetes, hipertensão arterial, artrite reumatoide, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), entre outras comuns na região.

Formada em 2000 pela Universidade Estadual do Pará (Uepa), Mônica desde cedo manifestou o desejo de trabalhar com comunidades ribeirinhas. Assim que saiu da Universidade, caiu em campo e rumou para o município de São Sebastião da Boa Vista, na ilha do Marajó, onde começou a atuar em clínica geral, no atendimento principalmente a crianças e idosos. De lá pra cá já são 18 anos de estrada, e um acúmulo de experiência em oito municípios do Pará, Maranhão e Tocantins.

A paixão pelo trabalho com as comunidades ribeirinhas acenderam na jovem médica o alerta sobre a necessidade de lançar mão de outros instrumentos, além do estetoscópio, para levar as mensagens de saúde àquelas populações. Foi assim que surgiu a parceria com o teatro. O grupo Máscara Branca, que se originou do Papa Manga, de São Sebastião da Boa Vista, passou a fazer parte das ações de acolhimento coordenadas por Mônica no interior desde 2004, ainda em São Sebastião, e está presente até hoje nos municípios onde a médica trabalha.

Em Limoeiro, a parceria segue se revelando um sucesso:

“A gente recebe as informações dos agentes comunitários de saúde sobre a necessidade de estimular os moradores a fazerem o acompanhamento da saúde, o controle do diabetes e pressão arterial. Eles são muito resistentes a fazer o controle”, explica a médica, que sabe que na atenção básica é onde se dissipam 80% dos problemas de saúde. Quando a atenção básica não é resolutiva, o paciente acaba na atenção secundária ou terciária, ou seja, as emergências e internações. E é para evitar esse quadro que o pessoal do teatro é acionado.

Nos dias que se seguem às apresentações, a unidade lota de pessoas em busca de consultas e pais levando crianças para atualizar vacinas. As despesas com o cachê dos artistas ficam por conta da Prefeitura, mas a médica se encarrega de contratar pessoas da comunidade para fazer a documentação do evento, como filmagem e fotografia.

“As pessoas hoje querem novidades, ações mais dinâmicas”, defende Mônica que se desdobra em uma rotina pesada.

 

Ao longo do mês, permanece dez dias na sede do município e outros dez na zona rural, onde coordena a equipe do programa Estratégia Saúde da Família Ribeirinho, no rio Japiin Grande. O local serviu de inspiração e fonte de pesquisa para o trabalho de conclusão de uma pós-graduação, em fase de conclusão, na Faculdade Gaúcha (FG): O tratamento e a qualidade da água para prevenção das diarreias agudas em crianças menores de cinco anos no rio Japiin Grande (Limoeiro do Ajuru-Pará). “Pretendo chamar atenção para a necessidade de políticas públicas voltadas a essas comunidades”, ressalta.

Entre o trabalho duro no interior e os estudos, Mônica dedica os outros dez dias que lhe restam aos cuidados da família: as duas filhas, que ficam em Belém com os avós e o marido, também estudante de medicina. “É muito gratificante voltar para casa com a certeza do dever cumprido. Tenho certeza de que esse trabalho me fortalece e me ajuda a dar bons exemplos em casa”, afirma. Sem dúvida, a dra. Mônica Rodrigues inspira muita gente e é um exemplo de profissional que honra a medicina.

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